Sábado, Junho 06, 2009


Ouvindo The Cure ultimamente. Curioso como algumas coisas não mudam. Meus preferidos continuam os mesmos, as músicas de que mais gosto dentro deles também. A partir de Wild Mood Swings, disco de 1996, ouvi muito pouco, e só na época que saiu. As cotações e comentários são frutos da minha memória confusa. Não citei alguns discos porque nem me lembro o que achei deles.
Three Imaginary Boys (1979) * * * *
Estreia inspirada, crua, e desajeitada. ou seja, cheia de charme.
Destaques: 10:15 Saturday Night, Accuracy, Fire in Cairo.
Seventeen Seconds (1980) * * * * *
A entrada de Simon Gallup ajudou Robert Smith a encontrar o Cure sound. Disco fenomenal.
Destaques: Play for Today, In Your House, M.
Faith (1981) * * * *
Começa a jornada para terreno tenebroso, completada no incrivelmente lúgubre Pornography.
Destaques: The Holy Hour, Other Voices, Faith.
Pornography (1982) * * * * *
Discaço que foi fundo na melancolia e no desespero.
Destaques: One Hundred Years, The Hanging Garden, The Figurehead.
Japanese Whispers EP (1983) * * * *
Junção de EPS que deixa esta coletânea com um ecletismo nunca visto antes nos discos da banda.
Destaques: The Wall, Let's Go To Bed, Speak My Language.
The Top (1984) * * * * *
The Cure entrando de cabeça na onda neo-psicodélica dos anos 80 e mostrando como se faz um discaço.
Destaques: Piggy in the Mirror, Bananafishbones, The Top.
The Concert (1984) * * * *
A melhor versão de Shake Dog Shake está aqui. O que não é pouco para uma canção retirada do excepcional The Top.
Destaques: Shake Dog Shake, Charlote Sometimes, 10:15 Saturday Night.
The Head on the Door (1985) * * * * *
Mais uma obra-prima, desta vez com um inegável charme pop FM.
Destaques: The Baby Screams, A Night Like This, Sinking.
Standing on a Beach - The Singles (1986) * * * * *
Deu sorte quem encontrou a fita cassete na época. Vinha repleta de B sides raríssimos.
Destaques: Charlote Sometimes, Play for Today, Killing an Arab.
Kiss me Kiss me Kiss me (1987) * * * 1/2
Álbum duplo um tanto irregular, mas com grandes momentos. Daria um belíssimo álbum simples.
Destaque: Why Can't I Be You, Catch, Like Cockatoos.
Disintegration (1989) * * * * 1/2
De volta à atmosfera pesada de Pornography.
Destaques: Lullaby, Plainsong, Disintegration.
Entreat (1990) * * *
Coletânea de lados b dos singles de Disintegration ao redor do mundo. Faixas ao vivo.
Mixed Up (1990) * * 1/2
Disco de remixes que vale mais pela inédita "Never Enough".
Wish (1992) * * * *
Outro disco eclético, confuso, mas que abre e fecha com duas das mais fantásticas canções da banda.
Destaques: Open, High, End.
Wild Mood Swings (1996) * *
Sim, é o pior disco do Cure. Ouvi algumas vezes, mas nunca consegui pescar uma só faixa que não fosse burocrática. Precisaria reovuir, mas não dá vontade.
Galore (1997) * * * *
Coletânea que pega o período após Standing on a Beach.
Destaques: Catch, Lullaby, High.
Bloodflowers (2000) * * 1/2
Uma das inúmeras ressurreições da banda após Wish. Disco regular, sem maiores destaques.
The Cure (2004) * * * 1/2
O melhor da fase das ressurreições. Mas precisaria reouvir para apontar destaques.
4:13 Dream (2008) * * *
A banda mais uma vez se repetindo com certa graça.

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Depeche Mode - Sounds of the Universe * * * *

Há algo de estranho com o Depeche Mode. Algo que não sei explicar.

Desde Songs of Faith and Devotion seus discos, por melhores que pareçam na primeira audição, deixam sempre uma vontade louca de se voltar a eles, não para repetir alguma sensação de maravilhamento, algum êxtase sonoro, mas para descobrir o que se esconde nas entranhas, as sutilezas que sempre se inserem em uma ou outra faixa, os climas que, ora se revelam cortantes e sombrios, ora se mostram de maneira clara como algo delicioso de se ouvir num momento ensolarado qualquer.

Essa mudança de perspectiva a cada audição é o mistério da banda. O que faz com que seja uma das melhores em atividade.

Sounds of the Universe talvez fique um pouco abaixo de Playing the Angel, o disco anterior. Isso se comprovará em audições futuras, e poderá ser desmentido em seguida. Não importa. O que importa é que Dave Gahan agora compõe muito bem, e suas músicas estão em pé de igualdade com as de Martin Gore, como prova "Come Back", canção digna de um disco soberano como Violator.

Contudo, minha preferida, por enquanto, é a sétima faixa do disco, a belíssima "Peace", escrita por Gore.

O primeiro hit é certeiro: "Wrong". Remete ao estranho Exciter.

Sounds of the Universe se junta a Yes, do Pet Shop Boys, e a Together Through Life, de Bob Dylan, como o que de melhor se fez até agora em 2009.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

100 melhores de 1983 - segundo Sérgio Alpendre


Num ano de muitos discos experimentais, alguns realmente bons, a maioria superestimada pela crítica, notei que minha lista tem poucos deles. Gosto do primeiro Swans, da estreia do Wolfgang Press (banda que adoro), do Einstürzende Neubauten do ano, dos trabalhos eruditos cheios de guitarra de Glenn Branca, e de vários outros (alguns escutei pela primeira vez para fazer esta lista), mas não eram bons o suficiente para figurarem entre os melhores de 1983. Um ano dominado em parte pelo Heavy Metal, que vai do tradicional ao Thrash Metal que acabava de surgir com força, e pelos resquícios da new wave, do pós punk e do tecno-pop de muitas bandas boas que infelizmente ficaram de fora (lembro do Freur, do Kissing the Pink e de John Foxx, mas tem mais...), além da impossibilidade de colocar o Hüsker Dü - pois seria condescendência colocar qualquer coisa que tenham lançado antes de Zen Arcade, de 1984. Enfim, mais uma lista pessoal, que busca, além do divertimento do concordo/não concordo, fazer um mapeamento do que de melhor se produziu no ano e não tenha ficado de fora da minha cuidadosa (mas, infelizmente, imperfeita) peneira.


Accept - Balls to the Wall * * * *
Após o retumbante Restless and Wild a banda alemã lança este álbum mais redondo, ainda que não seja tão bom quanto o anterior.

AC/DC - Flick of the Switch * * * *
A produção de Mutt Lange parecia engessar o disco anterior, For Those About to Rock. Apesar de muitos serviços prestados à banda (inclusive ter produzido dois de seus melhores discos, Highway to Hell e Back in Black), Lange caiu fora porque a banda decidiu se auto-produzir. O resultado foi o melhor disco deles após Back in Black.

Acid - Maniac * * * *
Poucos meses separam este segundo LP da banda belga Acid do primeiro, homônimo, também lançado em 1983. Mas é impressionante a superioridade de Maniac. A voz de Kate é estranha, mas uma vez que nos acostumamos a ela o conjunto flui que é uma beleza. É deste disco a clássica "Max Overload", assim como "Black Car", duas canções que já se enturmavam com a crescente onda de speed metal vinda do outro lado do Atlântico. Pena que o disco seguinte, Engine Beast (1985), volte a demonstrar uma banda pouco inspirada.

Alice Cooper - DaDa * * * *
É o The Elder de tia Alice. Um dos discos em que Cooper volta a encher suas canções de elementos externos à sua música, como já havia feito nos clássicos da primeira metade dos anos 70. Faixas como "Scarlet and Sheba", "Fresh Blood", "Enough 's Enough" e "Former Lee Warmer" parecem bactérias contaminando a sonoridade artista e a levando a lugares inimagináveis. Na música pop, quando isso acontece, quase sempre é positivo.

Anvil - Forged in Fire * * * * *
Discaço da sempre menosprezada banda canadense que realizou alguns outros belos discos, mas nada que se compare a este. Forged in Fire é um caldeirão de inúmeros invasores na receita do "true metal" que começaria a ficar em voga naqueles tempos, e essa mistura toda deu em um dos discos mais ecléticos e inspirados do gênero.

Axe - Nemesis * * * 1/2
Não tão bom quanto o anterior, o poderoso Offering, mas ainda bom o suficiente para queimar neurônios por aí. Um AOR vitaminado, com alguns insights heavy metal, fazem desta banda da Flórida uma das mais divertidas da época.

Bad Brains - Rock for Light * * * *
Uma faixa reggae para cada quatro hardcore. Assim era - mais ou menos - a fórmula desta banda americana seminal, neste segundo disco produzida por Ric Ocasek

Bauhaus - Burning from the Inside * * * *
Prefiro Love & Rockets a Bauhaus. Por isso meu disco preferido da banda é este, o quarto, no qual Daniel Ash e David Jor dominam. Peter Murphy ficou doente, e não participou de boa parte das gravações.

Bi Kyo Ran - Parallax * * * *
Este segundo disco do King Crimson japonês não é tão bom quanto o primeiro, mas vale cada centavo investido. Esses caras tocam um prog nervoso e barulhento, e são o que de melhor o Japão produziu no gênero.

Black Sabbath - Born Again * * * * 1/2
O último grande disco da banda conta com um feroz Ian Gillan no vocal. Bem estranho se comparado a tudo que lançaram antes todos os envolvidos, e dessa estranheza surge um interesse que eles nunca mais conseguiram despertar. A não ser que você tenha se deixado enganar pelo Dehumanizer.

Cabaret Voltaire - The Crackdown * * * * *
Se quiser entrar de cabeça na difícil carreira (para o neófito) da banda, comece por este ou por Red Mecca, ou ainda por The Covenant, the Sword and the Arm of the Lord. Se não gostar, desista. Ou tente o Code, que é muito bom, apesar de bem mais comercial.

Caetano Veloso - Uns * * * *
Um passo na frente de Cores Nomes (1982), mas ainda um passo atrás de Velô, do ano seguinte.

The Chameleon - Script of the Bridge * * * *
Anos antes da onda de Manchester vem esta banda pós-punk psicodélica justamente da cidade cinzenta que já deu ao mundo o VdGG. Os dois discos que eles fizeram a seguir são ainda melhores.

Charlie Garcia - Clics Modernos * * * *
A experiência com o Seru Giran, excelente banda argentina que não era tão pop, ensinou Garcia (líder do Sui Generis nos anos 70) a fazer pop safado dos melhores, como neste disco contaminado pela new wave.

Clock DVA - Advantage * * * *
Bagunça experimental, meio dançante, meio tribal, com pitadas discretas de um pop bem rasteiro, este disco vence pelo ecletismo e pelo estranhamento.

Cocteau Twins - Head Over Heels * * * *
Inferior ao que veio antes (Garlands, de 1982) e, principalmente, ao que veio depois (Treasure, de 1984), mas um grande e difícil segundo LP. Tente encontrar a versão em CD que contém o belo EP Sunburst and Snowblind, que por pouco não entra nesta lista também.

The Cramps - Smell of Female EP * * * *
Delicioso EP da banda do falecido Lux Interior. Uma porrada sonora, mas com melodia.

The Creatures - Feast * * * *
Quem chega ao primeiro disco dos Creatures via Siouxie and the Banshees tem um choque de cara. Música tribal, experimental e pouco melodiosa feita por Budgie e Siouxie, baseada em instrumentos percussivos e muito rica, se dado o devido tempo para que o disco seja digerido com calma.

The Cure - Japanese Whispers * * * *
Um EP gigante ou um LP pequeno? O que importa é que esta coletânea de singles realizados entre Pornography (1982) e The Top (1984) indicava uma mudança radical de percurso, com hits radiofônicos como Let's Go to Bed e The Lovecats.

Cybotron - Enter * * * *
Todo mundo que mexe com instrumentos eletrônicos é filho de Kraftwerk, mas talvez o filho mais legítimo seja esta banda de Detroit, que lançou este belo álbum robótico em 1983.

David Bowie - Let's Dance * * * *
Após a obra-prima Scary Monsters, Bowie iniciava sua decadência dos anos 80. Como é um dos maiores, o começo da decadência ainda é ótimo, com canções inspiradas como "Modern Love" e "Cat People".

Def Leppard - Pyromania * * * * *
Nunca sei dizer se a obra máxima da banda é este disco ou o primeiro, On Through the Night. Alguns anos depois eles fariam Hysteria, para estourar no mercado americano. Daí em diante não foi a mesma coisa. Fizeram discos apenas bons como Slang ou Adrenalize.

Depeche Mode - Construction Time Again * * * * 1/2
Tão bom quanto o estupendo A Broken Frame, mas com a vantagem de ter dado uma cara definitiva e de preparar o terrreno para a obra-prima Black Celebration, três anos depois (passando pela relativa entressafra de Some Great Reward).

Diamond Head - Canterbury * * * *
Com um pé fincado no AOR, este disco desagradou em cheio os fãs da banda. Pior para eles, porque com o novo direcionamento musical ficou mais claro ainda o potencial criativo do Diamond Head.

Dio - Holy Diver * * * * 1/2
Com este excelente disco dava a impressão que Ronnie James Dio faria uma banda de carreira impecável. The Last in Line, o disco seguinte, serviu para botar água no chope, e era o melhor entre todos que ele fez depois desta estréia inspirada.

Duran Duran - Seven and Ragged Tiger * * * *
Claro que é inferior aos dois primeiros discos, e também ao disco seguinte, o subestimado Notorious. Mas é um legítimo Duran em sua tentativa de se aproximar de um pop mais abrangente, funkeado, refletindo novas tendências das paradas.

ELO - Secret Messages * * * *
Esqueçam o disco seguinte, o desastroso Balance of Power. O mínimo que aceitamos de Jeff Lynne é um disco como este, cheio de belas melodias com arranjos preguiçosos. As melodias, contudo, são tão especiais, que tudo se encaixa. Ah, fizeram bem de não lançar o planejado álbum duplo, pois o que ficou de fora iria enfraquecer de fato este álbum.

Elvis Costello - Punch the Clock * * * * 1/2
Do tipo que só agrada em cheio aos Costellianos. Tais felizardos são contemplados com o melhor pop que este planeta já produziu.

Ensemble Pittoresque - For This is Past * * * *
Tecno pop na essência, experimental por vocação, muito bom de se escutar. Banda holandesa de carreira curta e conturbada, que deixou este disco de estréia muito bom e um segundo disco impos´sivel de se encontrar, Frequenz.

Eppu Normaali - Aku ja Köyhät Pojat * * * *
Sim, aqui quase adotei um critério de desempate bem pessoal e polêmico, o exotismo. O fato de ser uma banda finlandesa, com letras em finlandês e uma sonoridade que lembra um pouco a dos Leningrad Cowboys. Não precisei do desempate porque na lista entraram alguns poucos discos com cotação inferior a 4 estrelas. O Eppu Normaali tem um rock balançado bem bacana, ainda que sua carreira se desenvolva desde 1978 de maneira irregular. Este de 1983 é dos melhores, e quem não tiver ojeriza de escutar letras em outra língua que não seja o predominante inglês deve curtir um bocado.

Exciter - Heavy Metal Maniac * * * *
Muito superior a tudo que a banda fez depois, incluindo os superestimados Violence and Force (1984) e Long Live the Loud (1985), esta estréia do power trio canadense é um dos discos que ajudaram a firmar o thrash metal no mercado independente, comendo pelas beiradas deixadas pelos pesos pesados Metallica e Slayer.

Fastway - Fastway * * * *
O grande guitarrista "Fast" Eddie Clark espirrou do Motorhead, mas não se fez de rogado: montou logo uma nova banda, que iniciou da melhor maneira possível, com um petardo hard que fazia brilhar sua guitarra veloz. O vocalista David King era muito comparado a Robert Plant, mas também há ecos de Vince Neil (do Mötley Crue). Pena que no segundo álbum a banda já amarela um pouquinho e vira mais uma no cenário rico do metal da época.

Frank Zappa - The Man From Utopia * * * *
Entre dois discos essenciais, You Are What You Is (1981) e Them Or Us (1984), Zappa lançaria algumas brincadeiras como esta, que reserva momentos de seu gênio, como "The Dangerous Kitchen" e "We are Not Alone".

Fun Boy Three - Waiting * * * *
Da costela dos Specials sai esta banda que fez um pop interessantíssimo com quase nada do ska genial da antiga banda. Este é o segundo e último disco deles, com destaque para "Our Lips are Sealed", que já havia sido interpretada com muito êxito pelas Go-Go's.

Gang 90 - Essa Tal de Gang 90 e Absurdettes * * * *
Melhor exemplar da new wave à brasileira, com o visionário Júlio Barroso capitaneando um rock descompromissado e delicioso para bailinhos.

Gazebo - Gazebo * * * 1/2
Em matéria de Italo-Disco não tem para ninguém. Gazebo e seu mega-hit "I Like Chopin" arrasa. O disco, por incrível que pareça, não tem fillers, uma faixa insossa sequer.

The Glove - Blue Sunshine * * * *
Projeto paralelo de vida curta com Robert Smith (The Cure) e Steven Severin (Siouxie and the Banshees). É claramente um produto da neo-psicodelia daqueles tempos, com várias músicas excelentes e um vocal maravilhoso (principalmente nas duas primeiras faixas) de Jeanette Landray.

The Go-Betweens - Before Hollywood * * * *
Quem gosta de belas melodias não tem como não curtir este disco, que talvez seja o melhor da banda.

The Golden Palominos - The Golden Palominos * * * * 1/2
Fred Frith, Bill Laswell, Arto Lindsay, John Zorn... Com tantas feras, não é de se estranhar que este primeiro disco do grupo capitaneado por Anton Fier seja sensacional.

Green on Red - Gravity Talks * * * *
The Byrds e Neil Young na cabeça.

Hawaii - One Nation Underground * * * *
Marty Friedman provavelmente deve se envergonhar deste disco. Quando esteve no Brasil e deu uma passada pela Nuvem Nove eu mostrei o segundo LP do Hawaii, o menos tosco The Natives are Restless, e ele tirou o sarro. O fato é que esta estreia da banda é muito interessante em sua indecisão entre o hard e o trash metal que estava surgindo com força em 1983.

Heavy Load - Stronger Than Evil * * * 1/2
Estranha banda vinda da Suécia em seu último LP. Os dois maiores trunfos: as melodias ganchudas e o vocal estranho e diferenciado de Ragne Wahlquist.

Howard Devoto - Jerky Versions of the Dream * * * *
Devoto (ex-Buzzcocks e Magazine) lançou este curioso disco solo, perdido em algum lugar entre Roxy Music e Soft Cell.

Iron Maiden - Piece of Mind * * * * *
Um dos discos que explica o fascínio que a banda ainda exerce, junto de Killers (1981) e Powerslave (1984), um dos grandes LPs do gênero, com faixas inesquecíveis como "Where Eagles Dare", "Revelation" e "To Tame a Land".

Itamar Assumpção - Às Próprias Custas * * * * 1/2
Esqueçam Cazuza. O verdadeiro poeta urbano é Itamar Assumpção, que lançou um clássico atrás do outro sem nunca ter tido sua genialidade emplamente reconhecida.

James Blood Ulmer - Odyssey * * * *
Jazz, folk e uma pitada da faceta "Waiting on a Friend" dos Rolling Stones fazem deste disco uma excelente pedida para roqueiros que querem sair um pouco da redoma.

Killing Joke - Fire Dances * * * * 1/2
A guinada pop/prog que a banda iria dar nos anos seguintes fez deste disco um ponto especial para entendermos o caminho que ela percorreu, e o posterior retorno à ferocidade com o despertar da década de 90.

The Legendary Pink Dots - Basilisk * * * * 1/2
The Legendary Pink Dots - Curse * * * *
Deu para notar que adoro essa banda? Eles são de Londres, lançaram, no início dos anos 80, uma série de discos lançados unicamente em cassetes, que só seriam relançados nos anos 90, direto em CD. Basilisk e Chemical Playschool 3+4 (que caiu na última hora) são dois desses cassetes. Ambos espetaculares em suas ousadias progressivas e melodias kraftwerkianas. Curse é o segundo LP da banda, e se é inferior ao sensacional primeiro LP, Brighter Now, de 1982, ainda assim guarda interesse pelo que vem depois. Uma banda inigualável.

The Lords of the New Church - Is Nothing Sacred? * * * *
Com esses nomes, banda e disco, espera-se algo mais gótico, não? O fato é que tem até ska no caldeirão pop dos Lords, e este disco, se é ligeiramente inferior ao primeiro, ainda nos entrega boas doses de inspiração.

Marc & the Mambas - Torment and Toreros * * * * 1/2
Projeto paralelo de Marc Almond, do Soft Cell. A sonoridade lembra muito mais Dead Can Dance ou This Mortal Coil, e em alguns momentos Jacques Brel e Scott Walker, do que a banda original de Almond. É estranho em diversos momentos, e essa estranheza cerca o disco de um mistério pra lá de interessante. O que quer Marc Almond? Por que fazer este disco tão maluco, criativo e arriscado? Por que negligenciar ligeiramente o caminho seguro do Soft Cell? Sem respostas por enquanto. O fato é que este disco duplo é mais uma bola super dentro de um dos artistas mais geniais dos anos 80.

Metallica - Kill em' All * * * * *
Um marco, de qualquer forma que se encare este disco. O surgimento, com força, do thrash metal; a decadência da NWOBHM e das bandas que não souberam sair desse rótulo, arrasado pelo surgimento de bandas da costa leste americana, ou o estopim para tudo que foi feito no rock dos anos seguintes, servindo até de inspiração para a reação do grunge ao hair metal e à acid house. São mais de 50 minutos de riffs antológicos.

Midnight Oil - 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1 * * * *
Esqueçam a balela de ser a melhor banda do mundo. Durou pouco, pouca gente acreditou, e estava longe de ser verdade mesmo. A verdade é que a banda australiana lançou, sim, alguns discos bem legais, dos quais o melhor provavelmente é este aqui, com a capa branca e a contagem regressiva.

Minor Threat - Out of Step EP * * * 1/2
Esta banda é tida como um dos pilares do hardcore straight-edge (nada de álcools e drogas) do início dos anos 80, e este disco é considerado por meio mundo o clássico da banda. Talvez seja o melhor disco deles mesmo, e certamente é melhor que qualquer disco do Fugazi (a banda seguinte do vocalista MacKaye) que eu tenha escutado (ainda que eu deva reescutá-los, por uma questão de justiça).

Minutemen - What Makes a Man Start Fires? * * * *
Minutemen - Buzz or Howl Under the Influence of Heat EP * * * * 1/2
Só a faixa "Cut" já valeria sua inclusão aqui, mas o fato é que os Minutemen são injustiçados porque fizeram o melhor punk do planeta e raramente são reconhecidos por isso, e estes dois discos (LP e EP) são sensacionais, com a sonoridade urgente e esquisita que é marca registrada do trio.

Motley Crue - Shout at the Devil * * * * 1/2
Em relação ao primeiro LP, Too Fast For Love, este segundo perde um pouco da aparência de garagem, com as guitarras de Mick Mars soando mais polidas. Em compensação, ganha pela força das melodias, com destaque para "Too Young to Fall in Love" e a belíssima balada "Danger".

Motorhead - Another Perfect Day * * * * 1/2
Um grande disco da banda de Lemmy Kilmister, o único a contar com o playboy Brian Robertson na guitarra. Sem ver o visual ridículo dele, dá para compensar a sentida debandada de Fast Eddie Clark.

New Order - Power Corruption & Lies * * * * 1/2
Na discografia do New Order, este segundo LP só perde para Brotherhood e Get Ready, o que dá uma noção de seu poder. Começa com a capa, a melhor que a banda já fez.

Night Ranger - Midnight Madness * * * *
Junto com Double Vision e 4, do Foreigner; Abominog, do Uriah Heep; e do primeiro do Asia, os dois primeiros LPs da subestimada Night Ranger estão entre o que de melhor o AOR deu ao mundo. Este é o segundo álbum da banda que teve Brad Gillis, aquele guitarrista que substituiu Randy Rhoads por um tempo na banda de Ozzy Osbourne.

Oz - Fire in the Brain * * * *
Esta banda dinamarquesa se encaixa perfeitamente na expressão "guilty pleasures". Sei que é ridícula, mas não consigo deixar de gostar.

Ozzy Osbourne - Bark at the Moon * * * *
Tão bom quanto o disco de estréia, Blizzard of Ozz, este terceiro disco de estúdio de Ozzy vem com Jake E. Lee, e a difícil tarefa de substituir Randy Rhoads.

Paul McCartney - Pipes of Peace * * * *
Depois da obra-prima Tug of War, Macca desce um pouco ao nível dos mortais e lança este belo disco pop, com participação de Michael Jackson em duas faixas.

Peter Hammill - Patience * * * *
Em duas faixas, dá para sentir um gostinho de VdGG: na sorumbática e inacreditavelmente bela "Just Good Friends" e na nervosa "Jeunesse Dorée. Mais um belo disco de um dos grandes compositores do século XX.

Picture - Eternal Dark * * * *
Outro guilty pleasure, este é o melhor disco da banda holandesa Picture. A música título fez muito sucesso na 97 FM, uma rádio dedicada ao rock que infelizmente durou pouco.

Pink Floyd - The Final Cut * * * *
Muito menos pop do que se esperaria de um sucessor do monumental The Wall, The Final Cut é cheio de beladas que atingem em cheio os que resistirem à decepção inicial (sim, eu também fiquei decepcionado na primeira vez que ouvi).

The Police - Synchronicity * * * * 1/2
Durante muito tempo este canto de cisne foi meu Police preferido. Agora é Zenyatta Mondatta. Mas Synchronicity é um duro concorrente, sempre, assim como Ghost in the Machine..

Premeditando o Breque - Quase Lindo * * * *
Não tão bom quanto o primeiro disco deles, mas essencial para se entender a vanguarda paulistana da época.

Psychic TV - Dreams Less Sweet * * * * 1/2
Banda de Genesis P. Orridge após o essencial Throbbing Gristle, o Psychic TV se aproximou bastante do progressivo praticado por bandas como Neu!, Faust e Gong nos anos 1970. Um pé nas baladas especiais, outro no experimentalismo, em mais um discaço que tem Orridge por trás.

Rainbow - Bent Out of Shape * * * *
É o disco AOR do Rainbow (que desde a saída de Ronnie James Dio tinha um pé no AOR), e aquele em que o vocal irritante de Joe Lynn Turner cai melhor.

Ratt - Ratt EP * * * * *
Este EP que apresenta o Ratt ao mundo é seu disco mais redondo, com as guitarras de garagem soando perfeitamente nas melodias roqueiras. São seis faixas de puro deleite rock'n'roll, mas tem quem prefira acreditar que a banda é farofa.

R.E.M. - Murmur * * * * *
Clássico álbum de estreia de uma das bandas mais influentes dos últimos trinta anos. Após um belíssimo EP chamado Chronic Town, este Murmur já tem todas as qualidades que seriam melhor enxergadas nos discos do fim da década de 80, e fariam a banda conhecer um estrelato que eles nunca imaginaram.

Richard Thompson - Hand of Kindness * * * *
Uma única canção, digna do melhor que o Fairport Convention (banda clássica de Thompson) produziu, bastaria para colocar este álbum na lista, a fenomenal "Where the Wind Don't Whine". Como existem outras, a presença era barbada. Como tem duas ou três canções que não dizem muito, não recebe cotação maior.

Riot - Born in America * * * * 1/2
O melhor disco da banda com o vocalista Rhett Forrester. Fica pau a pau com Fire Down Under, o melhor com Guy Speranza no vocal. Depois disso, com outros vocalistas, nada que seja do nível do simpático disco solo de Forrester.

Rumo - Diletantismo * * * *
Luiz Tatit e companhia e a música criativa da vanguarda paulistana no início da década de 80.

Sad Lovers and Giants - Feeding the Flame * * * * 1/2
Uma pitada de Smiths, sobretudo no vocal - antes de Morrissey dizer a que veio -, mais um pouco de Chameleons e muito do Felt. Temos assim muma combinação que pode não ser muito original, mas que é uma delícia de se escutar, ao menos para quem curte o pós-punk/pop/gótico da época.

Satan - Court in the Act * * * * *
Clássico da NWOBHM, com um dos melhores vocalistas do estilo, Brain Ross, mais o guitarrista Steve Ramsey e o baixista Graeme English, que depois montaram a boa banda Skyclad. Este disco é pesado e rápido em alguns momentos, melodioso e malemolente em outros. Top 10 do heavy metal, sem exagero.

Savatage - Sirens * * * * 1/2
Criss Oliva, esse era o nome. O timbre de sua guitarra era inigualável. Somado a voz única de seu irmão Jon, dava a sonoridade perfeita para uma banda que desejava ser diferente dentro de um cenário propício para o metal. E pensar que o disco seguinte, Power of the Night, é ainda melhor. Pena que Criss tenha falecido em 1993, vítima de um acidente automobilístico.

Saxon - The Power and the Glory * * * * *
Simplesmente o melhor disco de uma das melhores bandas de rock. Sem mais palavras.

Slayer - Show no Mercy * * * * 1/2
Com este disco, mais a estréia do Metallica, Kill 'em All, surgia o Thrash Metal, que naquela época se confundia com Speed Metal. Classificações à parte, este disco de estréia do Slayer é fundamental para qualquer pessoa em dias de vacas magras. E essencial para todos que gostem de guitarras distorcidas e muita rapidez.

Soft Cell - The Art of Falling Apart * * * * 1/2
Depois da obra-prima Non Stop Erotic Cabaret, este segundo disco do duo inglês chega para confirmar Marc Almond como uma das melhores cabeças da época. É o Lou Reed do synth-pop.

Solaris - Marsbéli Krónikák * * * * 1/2
Este é disparado o melhor disco da banda húngara, cheio de teclados - o que afasta os maníacos por guitarra - mas repleto de melodias tocantes, muito bonitas mesmo. (muitos lugares apontam este disco como lançado em 1984, mas no CD oficial só aparece a data 1983).

Split Enz - Conflicting Emotions * * * *
Considerado um dos discos mais fracos deste genial combo new wave (na verdade, muito mais do que isso), é prova definitiva que a banda dos irmãos Finn é a melhor coisa a ter surgido na Oceania, quiçá no hemisfério sul. Ou seja: se este é dos mais fracos (e eu concordo que seja), o ouvinte pode imaginar como seriam os melhores.

Stray Cats - Rant n' Rave * * * *
Páreo duro entre este terceiro e o primeiro disco da banda que fez um new-wave voltado para os anos 50 (ao contrário da maior parte dos grupos de new wave, voltados para a primeira metade dos anos 60).

Tears for Fears - The Hurting * * * * *
Numa das maiores decadências da música pop, a banda de Curt Smith e Roland Orzabal fizeram esta obra-prima de estréia, mas depois o apenas bom Songs from the Big Chair (1985), o mediano The Seeds of Love (1989), e daí para baixo, numa descida de dar dó.

The The - Soul Mining * * * *
Matt Johnson, que nesse mesmo ano participou do projeto Marc & the Mambas, com Marc Almond, inicia sua nova banda com um disco inspirado de bom pop.

Thin Lizzy - Thunder and Lightning * * * *
1983 também foi o ano em que bandas mais pesadas flertaram com o AOR. A banda de Phil Lynott já havia flertado com o AOR em anos anteriores, e neste disco teve sua musicalidade vitaminada pela entrada de John Sykes, se aproximando, num sentido contrário, do hard rock mais pesado. Não só é o melhor Lizzy desde Black Rose (o que, convenhamos, seria bem fácil), como é um dos cinco melhores discos da banda.

Tim Maia - Descobridor dos Sete Mares * * * *
O mestre da voz em seu último grande disco.

Todd Rundgren - The Ever Popular Tortured Artist Effect * * * *
Disco que começa estranho, parece que não vai engrenar. A partir da quinta faixa, a monumental "Tin Soldier", releitura de Small Faces, o álbum se transforma numa festa maluca, cheia de pirações. Aí podemos apreciar melhor até a faixa "Drive", que é bem comercial, e inspirada.

Tom Waits - Swordfishtrombones * * * * 1/2
Um dos melhores discos de um dos músicos mais criativos, com uma voz rasgada como poucos tinham. Este disco único vem recheado de músicas curtas, melancólicas, que parecem ter saído de um outro tempo.

The Triffids - Treeless Plain * * * *
No All Music Gude alguém falou em antecipação do Alt Country, o que me pareceu justo, ainda que os australianos do The Triffids tenham muito mais graça do que 95% dos artistas que se beneficiaram do rótulo difundido nos anos 90. Este é o primeiro LP deles.

U2 - War * * * *
Melhor que October, mas inferior a Boy, este terceiro disco começa o caminho terminado com louvor no fenomenal disco seguinte de estúdio, The Unforgettable Fire.

The Undertones - The Sin of Pride * * * * 1/2
Tido quase que unanimemente como o disco mais fraco dos Undertones, é, pelo contrário, um grande disco de uma banda que ousou fazer diferente do que se esperava dela. Mais soul, mais pop, mais melancólico, um disco surpreendente.

Univers Zéro - Crawling Wind * * * * 1/2
EP de apenas três faixas que ganhou lançamento posterior em CD com faixas bonus (que desconheço, por sinal). Com pouco menos de 20 minutos de duração total (das três faixas do EP lançado em 1983), um arraso sonoro de fazer o queixo cair.

Was (Not Was) - Born to Laugh at Tornadoes * * * 1/2
Há uns três ou quatro anos formulei uma pequena tese de que o pop safado dos anos 2000 era melhor que o dos anos 90 e dos 80s. Reouvindo algumas coisas como DeBarge, Gazebo, Naked Eyes e este disco do Was (Not Was) começo a perceber que estava redondamente enganado. O pop safado (alguns querem descartável, mas creio que com essas medodias provaram que não é bem assim) dos anos 80 é tão bom quanto o dos anos 70. E tenho dito.

The Waterboys - The Waterboys * * * * 1/2
Talvez este seja o melhor disco da banda de Mike Scott, ainda que os três seguintes sejam muito bons também. Aqui, o folk-pop da banda está intacto, mais cru e apaixonante do que nos outros discos.

Witchfinder General - Friends of Hell * * * *
Em 1983, quem gostava da voz de Zeeb Parkes gostava bastante deste segundo LP da banda. Quem não suportava seu timbre, que era semelhante ao de Brian Ross, outro bastião do NWOBHM, não podia nem chegar perto. Um clássico do metal tradicional inglês.

X - More Fun in the New World * * * * 1/2
Uma das grandes bandas americanas... ever... A combinação das vozes de Exene Cervenka e John Doe era perfeita, e a banda gravou três discaços antes deste sensacional LP. Difícil escolher o melhor entre eles.

Yes - 90125 * * * 1/2
Com este disco a banda acaba, pois o que se ouviu depois, com a exceção dos Keys to Ascension, não é digno de levar o nome Yes.

Zapp - Zapp III * * * *
Em matéria de funk sintetizado o Zapp foi uma das melhores bandas a aprender a lição de George Clinton e seu Funkadelic. Este terceiro disco pode perder para os dois primeiros da própria lavra, mas é superior ao que a banda clássica de Clinton fez após o seminal Uncle Jam Wants You (1979).


LIMADOS NOS DOIS ÚLTIMOS CORTES

10,000 Maniacs - Secrets of the I Ching

A Flock of Seagulls - Listen

Baron Rojo - Metalmorfosis

Bob Dylan - Infidels

The Church - Seance

Culture Club - Colour by Numbers

DeBarge - In a Special Way

G.B.H. - City Baby's Revenge

Godley and Creme - Birds of Prey

Heaven 17 - The Luxury Gap

Jean-Luc Ponty - Individual Choice

Judas Priest - Defenders of the Faith

The Legendary Pink Dots - Chemical Playschool 3 + 4

Loudness - Law of Devil's Land

Marco Antônio Araujo - Entre um Silêncio e Outro

Mercyful Fate - Melissa

Naked Eyes - Burning Bridges

O.M.D. - Dazzle Ships

Paul Rodgers - Cut Loose

Pekka Pohjola - Jokamies

P-Funk All Stars - Urban Dancefloor Guerillas

Philip Glass - The Photographer

Rain Parade - Emergency Third Rail Power Trip

Raven - All for One

The Replacements - Hootenanny

Robert Plant - The Principle of Moments

Satan Jokers - Les Fils du Metal

Savage - Loose 'n' Lethal

Sérgio Sampaio - Sinceramente

Shriekback - Care

Social Distortion - Mommy's Little Monster

The S.O.S. Band - On The Rise

Spinetta Jade - Bajo Belgrano

The Stranglers - Feline

Suicidal Tendencies - Suicidal Tendencies

Tom Tom Club - Close to the Bone

Twisted Sister - You Can't Stop Rock 'n' Roll

V8 - Luchando por El Metal

Yello - You Gotta Say Yes to Another Excess


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Esquecimentos da lista de 1977
(* que talvez ficassem de fora no último corte)


* Billy Cobham - Magic

Cameo - Cardiac Arrest

* Cluster & Eno

* Ornette Coleman - Dancing in Your Head

The Runaways - Queens of Noise

Spinetta - A 18 Minutos del Sol

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Aperitivo para os 100 de 1983

1983: o ano em que o heavy metal tradicional atingiu o auge, e que o Thrash Metal nasceu. Em algum lugar entre essas duas definições estava o Satan, grande banda de New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), oriunda de Newcastle (mesma cidade do Venom) que lançou este clássico, Top 10 de 1983 (contando todos os estilos).

Brian Ross é um dos grandes vocalistas do gênero, e a dupla de guitarristas formada por Steve Ramsey e Russ Tippins fizeram história, nas reencarnações do Satan com outro nome, Blind Fury e Pariah, e na grande e injustiçada banda Skyclad.
Court in the Act, o clássico do Satan, foi mal gravado. Tem os agudos estridentes demais e os graves muito abafados - característica semelhante a de Born Again, do Sabbath, lançado no mesmo ano (será que era uma moda da época?). Mas é um dos melhores discos de heavy metal já feitos.
Começa com a introdução "Into the Fire", que prepara o clima para o estrondo que é "Trial by Fire", passa por belos hards melódicos como "Blades of Steel", "No Turning Back" e "Hunt You Down", pela rapidez de "Break Free" e pelo lirismo das instrumentais "The Ritual"/"Dark Side of Innocence", e termina com a maior prova da genialidade de Brian Ross: "Alone in the Dock".
Indispensável para quem gosta de metal tradicional, mas deve agradar também aos adeptos exclusivos do thrash metal.

Terça-feira, Março 31, 2009

As dificuldades de se fazer uma lista

É uma espécie de terapia montar essas listas anuais que me obrigam a ouvir discos que há mais de vinte anos eu não ouvia, e a conhecer outros que sempre quis conhecer, mas que iam para o fim da fila por motivos diversos.

A dificuldade vem do conflito de datas. Por exemplo, em diversos lugares o disco Out of Step, do Minor Threat aparece como de 1983. Em outros, incluindo o livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, aparece como de 1984. Qual é o certo? Em qual informação confiar? All Music Guide, Rate Your Music, Music Brainz e Discogs não são 100% confiáveis. Mas são os melhores para se consultar.

Fora esse problema, ainda tem uma quantidade imensa de dúvidas, como por exemplo quanto ao disco que escuto agora, For to Next/And Not Or, de Steve Hillage. A parte For to Next deixa a desejar, mas a parte And Not Or, toda instrumental e bem parecida com o que o Gong fez no auge, é bem legal. Os dois discos já foram pensados para lançamento em conjunto, mas se fossem separados, certamente o segundo entraria na lista de 1983.

Existem também as surpresas e decepções. para desencargo de consciência, fui reouvir dois discos que odiei na época, e que a memória e audições futuras não sanaram: os discos de 1983 do De Barge (In a Special Way) e do Culture Club (Colour by Numbers). Dois belos discos, que talvez fiquem de fora da lista final por muito pouco.

No terreno das decepções, a mais marcante talvez seja a do disco de Lionel Richie, Can't Slow Down. Conhecia só os hits do disco, as excelentes "All Night Long" e "Hello", e me decepcionei bastante ao descobrir que o restante não só fica abaixo dessas duas como fica bem aquém do que se espera de um disco pensado para competir com Thriller.

Enfim, provavalmente no início de abril a lista fica pronta, e é postada aqui. Até lá, fico com a difícil tarefa de escolher 100, quando, nesse ano específico, seria muito mais fácil deixar só 50 ou escolher 150 de uma vez.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Os 100 melhores discos de 1977





















Mais uma vez reaproveitando material arquivado do site Tem Que Acontecer, projeto quixotesco que desenvolvi em 2003 e que foi sabotado pela venda da HPG. Claro que alguns discos saíram da lista, outros foram acrescentados, de acordo com minhas audições de lá pra cá. O mais curioso foi notar que alguns medalhões da MPB tiraram férias durante o ano de 1977. Assim, não consta na lista Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Jorge Ben, e Chico Buarque aparece só com uma trilha sonora. Outras bandas são tão boas que conseguiram emplacar discos menos inspirados na década, como é o caso do Earth & Fire, do 10cc e do Ohio Players. E algumas ausências podem ser tristes, como Tom Waits, cujo álbum de 1977, Foreign Affairs, é claramente de entressafra. O mesmo se pode dizer do Queen com News of the World, um bom disco, mas aquém do potencial da banda e dos 100 que entraram nesta lista final. Idem com o primeiro do Clash, que depois faria discos excepcionais. Vários outros bons artistas ficaram de fora, muitos com discos 3 estrelas (às vezes 3 1/2). A lista final não saiu sem certa dor, mas essa é grande parte da graça. No fundo, dói mais saber que devo ter esquecido vários outros discos muito bons.




















10cc - Deceptive Bends * * * *
Sem Godley e Creme, Goldman e Stewart tentam se reafirmar, à sombra dos quatro excelentes discos anteriores, e fazem um disco pop delicioso, o último antes da decadência definitiva de Bloody Tourists (1978).

Abba - The Album * * * *
O filme voltou a passar nos cinemas graças ao projeto Moviemobz. A banda, contudo, não precisa de mais nada além de suas belas melodias.

Aerosmith - Draw the Line * * * *
Superior a Toys in the Attic (1975) e Rocks (1976), Draw the Line é, sem dúvida, o melhor disco do Aerosmith ao lado de Get Your Wings (1974).

The Alan Parsons Project - I Robot * * * *
O segundo álbum do projeto de Alan Parsons conta com quase toda a banda Pilot, mais alguns convidados de luxo. Melodias brilhantes e experimentos com um progressivo espacial fariam a graça de muitos fãs até 1985, pelo menos.

Almôndegas - Alhos com Bugalhos * * * *
Terceiro disco da banda gaúcha de Kleiton e Kledir. Vários achados regionais escondidos no meio de muita melodia inspirada.

Banda Black Rio - Maria Fumaça * * * *
Funk instrumental brasileiro que voltou a se tornar cult por causa do relançamento em CD nos anos 1990.

The Beach Boys - Love You * * * * *
Dizer que é sensacional é chover no molhado. Brian Wilson melhora seu estado de sáude e coloca a massa cinzenta para criar as melodias irresistíveis que só ele sabe fazer. Na década de 70, este disco, dentro da carreira dos Beach Boys, só perde para Sunflower (1970).

Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico * * * * 1/2
Primeiro e melhor disco do compositor mineiro. Coquetel de beatlemania com progressivo e MPB que caiu nas graças de muito hippie da época

Blondie - Plastic Letters * * * *
Bem melhor que o primeiro LP, desta vez o Blondie vem disposto a conquistar o mundo, o que conseguiria, definitivamente, com o disco seguinte, a obra-prima Parallel Lines (1978)

Blue Oyster Cult - Spectres * * * * *
Da chamada equivocadamente de "fase metal", que compreende de Agents of Fortune (1976) a Revolution by Night (1983), Spectres é o melhor disco, mesmo concorrendo com pérolas como Cultossaurus Erectus (1980) e Fire of Unknown Origin (1981). Justiça seja feita: é o melhor disco do B.O.C.

Brian Eno - Before and After Science * * * *
Um disco de Eno, mesmo quando superestimado, é capaz de dar nós em nossos ouvidos.

Bryan Ferry - In Your Mind * * * *
Grande Ferry, cunhando melhor que todos o Rock 'n' Roll soul.

Caetano Veloso - Bicho * * * * *
Disco que parece um greatest hits, de tantas músicas que fizeram sucesso. De fato, muita gente pensa que é coletânea, até hoje.

Cartola - Verde que te Quero Rosa * * * * *
Terceiro disco de Cartola, compositor que dispensa comentários.

Cheap Trick - In Color * * * *
Os dois discos seguintes, Heaven Tonight (1978) e Dream Police (1979) são os melhores que a banda gravou. Mas as sementes estão neste ótimo disco de 1977.

Chic - Chic * * * *
Nile Rodgers e Bernie Edwards chegam com produção e seus instrumentos (guitarra e baixo, respectivamente), para mexer com o mundo funk, em plena era Disco. Fariam, no ano seguinte, a obra-prima C'est Chic.

Chico Buarque - Os Saltimbancos * * * *
Escondido entre duas obras-primas de Chico, Meus Caros Amigos (1976) e Chico Buarque (1978), este disco infantil que conta com participações de Miúcha e MPB-4 é uma delícia de se escutar.

Chrome - The Visitation * * * * 1/2
Ainda sem Helios Creed, que redefiniria o som da banda, o que temos neste disco de estréia é um Roxy Music inicial apontando para direções oitentistas interessantíssimas, mas com um pé forte no início dos 70s.

Colosseum II - Electric Savage * * * *
Este é o melhor disco da segunda formação de banda capitaneada por Jon Hiseman. Aqui, Gary Moore e Don Airey dão o ar da graça em um jazz rock nervoso.

Commodores - Commodores * * * *
Além de ter canções racha-assoalho, é o disco que contém a faixa "Easy", o maior sucesso comercial do grupo (seguido de perto pela belíssima "Three Times a Lady", balada do disco seguinte).

Daevid Allen - Now It's the Happiest Day of Your Life * * * * *
Allen sai do Gong, mas não abandona suas idéias poético-psicodélicas. Delicioso de se ouvir.

The Damned - Damned Damned Damned * * * * 1/2
Álbum de estréia de uma das bandas mais inspiradas do punk rock inglês.

David Bowie - Heroes * * * * *
Entre os discos que Bowie lançou na fase-Berlim, quando contou com a parceria de Brian Eno, Heroes é o melhor.

David Bowie - Low * * * * 1/2
Outro da fase Berlim, com um lado bem diferente do outro. A fórmula seria aperfeiçoada no disco seguinte, Heroes.

Dennis Wilson - Pacific Ocean Blue * * * * *
O talento está mesmo no sangue da família Wilson. Dennis já havia contribuido com algumas canções primorosas nos discos dos Beach Boys, mas este sensacional disco solo comprova definitivamente seu talento melancólico.

Earth & Fire - Gate to Infinity * * * *
Quinto e último grande disco da banda holandesa responsável por algumas das mais belas melodias dos anos 70. Daí em diante, a mistura de pop-disco-progressivo iria desandar, porque tenderia de vez ao pop mais comercial possível.

Earth Wind and Fire - All 'n' All * * * * 1/2
Um dos grandes discos de uma das melhores bandas de soul/jazz/funk que o planeta já viu.

Eddie Hazel - Game, Dames and Guitar Thangs * * * *
O disco solo do exímio guitarrista Eddie Hazel não se iguala a nenhum do Funkadelic com sua presença, mas quem disse que é fácil se igualar aos magos do funk psicodélico?

Electric Light Orchestra - Out of the Blue * * * * *
A questão aqui é reconhecer que Jeff Lynne é um compositor de melodias do nível de Paul McCartney e Brian Wilson. Uma vez reconhedido isso, não há como não se deliciar com este disco, um dos melhores da década.

Elvis Costello - My Aim is True * * * * *
Estréia excepcional de um músico que ainda é subestimado em certos círculos. Muito pop para ser abraçado integralmente pelos punks, muito arrojado para ganhar a simpatia do roqueiro mais conservador. Felizmente, as barreiras são fáceis de serem quebradas por este disco.

Fela Kuti - Shuffering and Shmiling * * * *
+ Fela Kuti - Zombie * * * * 1/2
Fela Kuti tem muitos discos e entre os que lançou em 1977 (dos quais só conheço três) estes dois são os escolhidos para entrarem na lista.

Frank Marino & Mahogany Rush - World Anthem * * * *
Um Jimi Hendrix servindo ao metal tradicional é o que temos com este disco.

Frankie Miller - Full House * * * *
Soul-rock cantado por um vocalista cujo timbre lembra muito o de Rod Stewart. Não tem como ser ruim.

Gal Costa - Caras e Bocas * * * *
Provavelmente o último grande disco de Gal Costa, lançado em um ano que ouviu muitos últimos grandes discos e vários grandes primeiros discos.

Gentle Giant - Playing the Fool * * * *
GG em processo de decadência é melhor do que 99% do que se faz em música pop ou rock. A partir deste disco, eles tentariam dar novos rumos à sua música, e nunca mais fizeram um grande trabalho. Este, no entanto, é facilmente um dos melhores duplos ao vivo que foram feitos no rock.

Gerson King Combo - Gerson King Combo * * * * 1/2
Funk nervoso de primeira.

Gilberto Gil - Refavela * * * *
Nas pegadas de Refazenda (1975), só que comendo poeira. Ainda assim, é um grade disco do ex-ministro.

Gong - Live Etc. * * * *
Duplo ao vivo que contém alguns dos melhores momentos (gravados entre 1973 e 1975, quase todos ainda com Daevid Allen) do prog-psicodélico da banda, lançado em uma época em que eles já estariam indo na direção do jazz-rock sob a orientação de Pierre Moerlen.

Heatwave - Too Hot to Handle * * * *
Rod Temperton é um dos maiores compositores de soul-music que existiram, e esta banda serve-se muito bem de seu talento neste disco de estréia e no igualmente brilhante Central Heating (1978).

Ian Dury - New Boots and Panties * * * *
Neste disco com a fenomenal banda The Blockheads, Ian Dury entrega mais uma mistura de ritmos amarrados pelo rock.

Iggy Pop - Lust for Life * * * *
Melhor que o outro disco lançado pelo iguana em 1977, The Idiot, Lust for Life é o melhor exemplo do som que ele estava buscando desde que os Stooges viraram História.

The Jacksons - Goin' Places * * * *
Michael Jackson já não era mais criança, e estaria a poucos anos de se tornar um dos maiores astros da música.

Jacques Brel - Brel * * * * 1/2
Gravado depois que o cantor passou alguns anos navegando pelo mundo em seu iate, Brel é o canto de cisne desse artista único, atemporal, como podemos ver na maior parte das faixas deste disco.

Jan Hammer Group - Melodies * * * *
Hammer tentando encontrar novos rumos para seu jazz-rock

Jane - Between Heaven and Hell * * * * 1/2
A excelente banda alemã Jane desenvolveu uma carreira bem interessante, mudando sempre de formação e de sub-estilo, dentro de um hard-progressivo totalmente tingido pelo que o Krautrock entregou ao mundo no início dos anos 70. Este BHAH é um de seus melhores discos, cheio de melodias inspiradas e um prog-soft inofensivo, mas bem agradável de se escutar.

Jean-Luc Ponty - Enigmatic Ocean * * * *
Provavelmente o melhor disco do violinista, contando com Daryl Stuermer, Allan Holdsworth e Allan Zavod.

Jethro Tull - Songs from the Wood * * * * 1/2
Após aproximações com o pop no disco anterior, JT chega muito próximo do que o Gentle Giant fazia nos anos anteriores. Claro, é inferior que qualquer disco do Giant até o duplo ao vivo, mas é melhor que Missing Piece, disco de estúdio do GG em 1977).

João Bosco - Tiro de Misericórdia * * * * *
Sem dúvidas o melhor disco deste excepcional compositor.

João Gilberto - Amoroso * * * * *
João já era grande, e de quebra nos presenteia com este disco formidável, um dos melhores já feitos em nosso país.

João Nogueira - Espelho * * * *
Compositor um tanto injustiçado, Nogueira estava inspirado quando gravou Espelho.

John Martyn - One World * * * *
Em 1977, este disco suave de Martyn, contendo sua voz única (em algum lugar entre Chris Rea, Richard Heavens e Bryan Ferry) soa como um OVNI em meio a obras Disco, punk ou hard rock.

Kansas - Point of Know Return * * * * 1/2
A banda começou progressiva, mas sempre alternando momentos de hard rock e pop. talvez a mistura tenha atingido o ponto máximo neste disco, que contém a clássica "Dust in the Wind" e a impecável "Closet Chronicles".

Kayak - Starlight Dancer * * * * *
A banda holandesa chefiada por Tom Scherpenzeel teve uma carreira bem irregular, mas quando acerta sai de baixo. Acertou em cheio três vezes nos anos 70: no disco de estréia, See See the Sun (1973), em Kayak II (1974) e neste estupendo Starlight Dancer, que se renova sem abandonar as raízes, e tem melodias espetaculares pelo disco todo.

Kiss - Love Gun * * * *
Pode não ter o mesmo nível de Kiss (1973), o álbum de estréia, de Destroyer (1976) ou mesmo de Dressed to Kill (1975), mas está longe de ser o disco de entressafra que muitos sugerem até hoje. Só "I Stole Your Love" já derruba qualquer disposição contrária.

Kraftwerk - Trans Europe Express * * * * *
Primeira obra-prima da banda alemã que no ano seguinte faria mais uma: Man Machine. Só "Hall of Mirrors" já valeria o disco, e tem muito mais.

La Máquina de Hacer Pájaros - Películas * * * *
Disco prog da banda de Charlie Garcia que há muito tempo não escuto. A presença aqui tem boa dose de confiança na minha memória de que a inspiração de Garcia estava em alta.

Leonard Cohen - Death of a Ladies' Man * * * *
Produzido por Phil Spector, mostra o bardo canadense tentando se reencontrar após a obra-prima New Skin for the Old Ceremony (1974).

Locanda Delle Fate - Forse le Lucciole non si Amano Più * * * *
Com um dos títulos mais bonitos do rock, este disco da banda italiana de vocal operístico (e de nome bonito também) impressiona pelas melodias e pelo piano fluente em toda sua duração.

Maneige - Ni Vent ni Nouvelle * * * *
Quem gosta de Gentle Giant, xilofones e fusion não tem como não gostar deste disco do Maneige. Quem não gosta está perdendo.

Metro - Metro * * * *
Alguns lugares apontam este disco como lançamento do fim de 1976, mas o All Music e o Rate Your Music, que estão longe de serem infalíveis, apontam 1977. Que seja. De qualquer forma, o disco é excelente, e merece figurar nesta lista.

Moraes Moreira - Cara e Coração * * * * 1/2
Grande disco de Moreira, ex-Novos Baianos, que no ano seguinte faria o igualmente belo Auto Falante.

National Health - National Health * * * *
Banda de Dave Stewart (ex-Khan, Egg, Arzachel) que é praticamente uma continuação do Hatfield and the North (sem os irmãos Sinclair e com os mesmos Phil Miller e Pip Pyle, e pratica uma mistura bem interessante de progressivo com jazz e experimentalismo.

Ohio Players - Angel * * * *
Não tão bom quanto os clássicos Skin Tight e Fire (ambos de 1974), mas Ohio Players é uma das bandas mais talentosas do funk setentista, e este talvez seja o último grande disco deles.

Parliament - Funkentelechy vs. the Placebo Syndrome * * * * 1/2
Junto do Funkadelic, que não lançou disco em 1977, o Parliament, também uma criação de George Clinton, é das coisas mais interessantes que surgiram na música entre o fim dos anos 60 e o começo dos 70.

Pekka Pohjola - Keesojen Lehto * * * *
Os vinis do finlandês Pohjola, e da banda da qual fez parte, Wigwam, valiam fortunas tempos atrás. Lançamentos em CD na Europa acabaram com a festa dos especuladores, e tornaram possível que muito mais gente conhecesse o prog-jazza-pop envolvente do músico.

Percy Thrillington - Thrillington * * * *
Músicas de Paul McCartney recebendo versões lounge em plena era punk? Isso pode ser bom? Por incrível que pareça, pode sim, pois Percy Thrillington é ninguém menos do que o próprio Macca em curioso projeto paralelo.

Peter Gabriel - Peter Gabriel * * * *
Em carreira solo, Gabriel ainda se sairia melhor com o terceiro e o quarto disco de sua carreira, em 1980 e 1982. Esta estréia, entretanto, é superior ao segundo disco dele, e tem a clássica canção "Solsbury Hill".

Peter Hammill - Over * * * * 1/2
Um dos melhores discos da carreira solo de Hammill.

Pilot - Two's a Crowd * * * * *
Um dia esta excelente banda terá o reconhecimento que merece. Este é o quarto e último disco deles.

Pink Floyd - Animals * * * *
Depois de um disco irregular, Wish You Were Here (1975), a banda volta com força em um álbum mais direto, cheio de influências de folk e blues, e com faixas enormes, mas com um pé forte no mercado.

Ramones - Leave Home * * * *
Simplesmente o melhor disco da banda.

Recordando o Vale das Maçãs - Crianças da Nova Floresta * * * *
Banda de um disco só, que mesclava progressivo com folk e MPB.

Renaissance - Novella * * * * 1/2
Excelente disco de apenas cinco faixas, sendo uma delas a antológica "The Sisters"

The Residents - Fingerprince * * * * 1/2
Lançado em tiragem limitada e autografada ainda em dezembro de 1976, obteve lançamento "oficial" no ano seguinte, se tornando um dos discos fundamentais pelo que o Residents viria a ser reconhecido.

Roberto Carlos - RC 77 * * * * *
Outro disco que mais parece uma coletânea, de tantas músicas antológicas. Seria a última obra-prima do Rei.

Robin Trower - In City Dreams * * * *
Trower saiu do Procol Harum e desenvolveu carreira solo mais interessante do que a do grupo nos anos 70, como comprova este ótimo disco.

Rush - A Farewell to Kings * * * *
Fãs de Rush são como fãs de Iron Maiden: se esforçam tanto para que todos gostem de suas bandas de coração que terminam por afastar-nos delas. Uma audição fria revela muitas qualidades em alguns álbuns desta banda canadense.

Scorpions - Taken by Force * * * * 1/2
Um dos melhores discos do Scorpions conta com Ulrich Roth ainda, pela última vez em estúdio.

Som Nosso de Cada Dia - Som Nosso (Sábado/Domingo) * * * * 1/2
Um lado prog, outro funk. Para desespero dos fãs antigos da banda, o lado funk é sensivelmente melhor.

Split Enz - Dizrythmia * * * * *
A banda neo-zelandesa que revelaria os irmãos Neil e Tim Finn para o mundo lançou vários discos de antologia, entre eles este impecável e estimulante disco de 1977.

Status Quo - Rockin' All Over the World * * * *
A banda que atravessou os anos 70 fazendo discos bem bacanas nos entrega mais um, que pode até ser considerado um dos cinco melhores de sua carreira. Em quinto, vá lá, já que não tem como ficar na frente de Hello (1973), Quo (1974), On the Level (1975) e o melhor de todos, Blue For You (1976).

Steely Dan - Aja * * * *
É curioso como este disco é sempre tido como o supra-sumo da música do SD. Vira e mexe aparece como um dos melhores discos dos anos 70. É um grande disco, mas a banda de Donald Fagen e Walter Becker fez pelo menos três discos melhores que este: Can't Buy a Thrill (1972), Pretzel Logic (1974) e Royal Scam (1976).

Steve Hillage - Motivation Radio * * * * *
Terceiro disco solo do ex-guitarrista do Gong e do Khan, é também o seu melhor, superando o progressivo ortodoxo, e muito bem feito, de Fish Rising (1975) e a agradável indecisão criativa de L (1976).

The Steve Miller Band - Book of Dreams * * * *
Mais fraco que Fly Like an Eagle (1976) ou The Joker (1973), ainda assim é mais uma prova do talento de Miller para fazer discos deliciosos sem que sua técnica prevaleça sobre as melodias.

Steve Winwood - Steve Winwood * * * *
Primeiro e inspirado disco solo de Winwood, com sua voz negra e aguda soando com toda a limpidez que lhe é característica.

The Stranglers - No More Heroes * * * * 1/2
Lançado poucos meses depois de Rattus Norvegicus, este disco sublime consegue ir além da estréia da banda, colocando-os sob os holofotes da recente onda punk-rock que assolou a Inglaterra

Suicide - Suicide * * * * *
Alan Vega e Martin Rev revolucionaram o punk e o synth pop que estava surgindo com o Kraftwerk, abrindo caminho para coisas pesadas que viriam em seguida. O primeiro e sensacional disco do Soft Cell pode ser considerado um dos maiores herdeiros desta pérola.

Talking Heads - 77' * * * * *
Primeiro e excepcional disco de uma das bandas mais importantes do cenário pós-punk/new wave que surgia com força a partir de Nova York.

Television - Marquee Moon * * * * *
Um dos clássicos dos anos 70. A guitarra de Verlaine ficaria para sempre marcada no mundo da música pop. Tem um pouco de progressivo, um pouco de glam rock, de punk, e muito de Velvet Underground. Isso dito, não tem na verdade nada do que foi citado, pois tudo junto dá numa das coisas mais originais que pudemos ouvir depois de... er... Velvet Underground.

Throbbing Gristle - Second Annual Report * * * * 1/2
Assim é que se faz música experimental.

Tim Maia - Tim Maia * * * *
Entre altos e baixos, qualquer disco de Tim Maia nos anos 70 tem que entrar em qualquer lista deste tipo. Esse de 1977, lançado na época pela Som Livre, traduz com precisão o porquê do cantor ser considerado um dos maiores de todos os tempos.

União Black - União Black * * * * 1/2
Funk à brasileira. Um dos discos essenciais da black music nacional, que não teve a projeção que merecia.

Uriah Heep - Firefly * * * *
+ Uriah Heep - Innocent Victim * * * *

De uma fase subestimada da banda, estes dois discos com John Lawton no vocal são melhores que os três anteriores, com David Byron. Difícil é o fã que tem disposição para descobrir isso.

Utopia - Ra * * * *
+ Utopia - Oops! Wrong Planet * * * *

Dois discos da banda montada em 1974 por Todd Rundgren, que não lançou disco solo em 1977. Como sempre, o ecletismo é a marca do sujeito. Ra tende para o progressivo, e Oops vai mais para o lado do pop, encerrando com um dos maiores sucessos da carreira de Todd, a balada "Love is the Answer".

Van der Graaf - The Quiet Zone / The Pleasure Dome * * * *
Não faz mal que é o disco mais fraco do VdGG (menos o segundo G, de Generator) junto de World Music (1976). Nele você pode ouvir algumas das faixas mais inspiradas do prog na segunda metade da década de 70, como "Cat's Eye", "Lizard Play" e "The Wave".

Wire - Pink Flag * * * * 1/2
Outro dia esbarrei em um debate na internet sobre qual é melhor, este ou o segundo, Chairs Missing (1978). Sinceramente, eu também não sei, pois cada vez que escuto os dois discos saio com um como superior ao outro, e isso sempre muda. O que importa é que a banda é excelente, e ainda tem um terceiro disco bacana, 154 (1979)

Yes - Going for the One * * * *
É o disco que marca a volta de Rick Wakeman. Continua na onda do progressivo total e barulhento inaugurado com o espetacular - e superior - Relayer (1974).


Limados no último corte:
Belchior - Coração Selvagem
Egberto Gismonti - Carmo
Francis Hime - Passaredo
Gryphon - Treason
Hawkwind - Quark Strangeness and Charm
Illusion - Out of the Mist
Jan Akkerman - Jan Akkerman
Judas Priest - Sin After Sin
Klaatu - Hope
Premiata Forneria Marconi - Jet Lag
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Próximo ano: 1983

Domingo, Fevereiro 22, 2009








Em homenagem a O Lutador, belo filme "de" Mickey Rourke, atualizo este blog esquecido com as cotações de uma banda germânica clássica, que influenciou nove entre dez bandas de power metal dos anos 90 (Bling Guardian, Stratovarius, Rage, Morgana Lefay...): ACCEPT.



Accept (1979) * * * *

Começo cru, mas com melodias interessantes. Algumas composições são bem inspiradas. É como meu irmão disse há pouco: "quem iria apostar que uma banda com um front man desses (Udo) iria vingar?"



I'm a Rebel (1980) * * *

A maior força deste álbum é ser esquisito. Curiosamente e apaixonadamente esquisito. Metal com backing vocals punks, muito antes do estouro do crossover de meados da década de 80, é o que se pode ouvir na faixa título. Disco music é o que se pode ouvir em "I Wanna be no Hero".



Breaker (1981) * * *

Cada vez mais perto da sonoridade que iria marcar a banda e influenciaria quased todo o metal tradicional europeu daí em diante. Um Judas Priest vitaminado, mas ainda sem a força que teria nos discos seguintes.



Restless and Wild (1982) * * * * *

O clássico da banda. Nunca mais repetiram o feito. Aqui, nascia o power metal, em faixas como "Fast as a Shark" e "Ahead of the Pack". Ao mesmo tempo, a inspiração melódica e semi-épica de faixas como "Demon's Night", "Neon Nights" e "Princess of the Dawn" é inesquecível.



Balls to the Wall (1983) * * * *

Seguindo no caminho trilhado com perfeição no disco anterior, mas já dando sinais de um comercialismo preocupante (vide "Love Child"). As melhores são as duas primeiras, "Balls to the Wall" e "London Leatherboys", e a última, "Winter Dreams".



Metal Heart (1985) * *

Algumas faixas muito boas convivem com constrangimentos como "Living for Tonite". Extrapolaram na vontade de vender, desta vez, e fizeram um disco em que nada é de metal, muito menos o coração.



Kaizoku-ban (1985) * *

Mini-LP ao vivo, com a turnê de Metal Heart. Algumas faixas tem versões mais pesadas, mesmo assim o disco não convence.



Russian Roulette (1986) * * *

Mais pesado, mais inspirado, menos orientado para as FMs. Não uma volta ao passado, mas uma redirecionada de caminhos. Disco indeciso de certa forma, mas com momentos bem marcantes.



Eat the Heat (1989) * *

Como se adequar aos novos tempos? Eles só descobririam na década seguinte. Ainda assim, alguns momentos, como é de praxe em discos do Accept.



Staying a Life (1990) * * *

Um duplo ao vivo para satisfazer os que só encontravam registros decentes da banda no palco em produtos piratas.



Objection Overruled (1992) * * *

Qualquer objeção a este disco deve ser negada, pois é o melhor que eles lançaram desde Balls to the Wall. Quase uma volta definitiva à excelente forma do biênio 82/83.



Death Row (1994) * *

Estranhei demais este disco na única vez que o escutei. Nunca voltei a ele, infelizmente. Devo voltar por estes dias.



Predator (1996) * * *

O peso alcançado. A maneira de se adequar a novos tempos encarada com firmeza. Não vingou, mas é um disco bem digno.



All Areas - Worldwide (1997)

Ao vivo de despedida. Nunca o escutei. Nunca é tarde, e como no caso de Death Row, merecerá um update assim que for decifrado.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Alexander the Great, última faixa do LP Somewhere in Time (1986), do Iron Maiden. Aos 4:45 começa o solo épico de guitarra. Vai até os 7:20. É um dos momentos mais soberbos da história do rock, e por conseqüência, da música.

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Tava reouvindo alguns discos da banda inglesa XTC. Impressionante como depois de acertar o prumo com Drums and Wires e Black Sea eles entraram em um período de indefinições e melodias estranhas - justamente a época do colapso nervoso de Andy Partridge, que quis sozinho imitar os Beatles e não fazer mais shows. Lançaram três discos irregulares, English Settlement, Mummer (um dos momentos mais fracos da carreira da banda) e The Big Express, um sinal de que a coisa estava já bem melhor.

Em seguida, embarcaram nas gravações da obra-prima Skylarking, com produção do mago Todd Rundgren. Daí em diante só voltariam a fazer um disco que não fosse excelente em 2000, quando lançaram Wasp Star.

White Music (1978) * *
Go 2 (1978) * *
Drums and Wires (1979) * * * *
Black Sea (1980) * * * *
English Settlement (1982) * * *
Mummer (1983) * *
The Big Express (1984) * * *
Skylarking (1986) * * * * *
Oranges and Lemons (1989) * * * *
Nonsuch (1992) * * * *
Apple Venus Pt 1 (1999) * * * * *
Wasp Star (Apple Venus Pt 2) (2000) * * *

obs: ficaram de fora desta lista de cotações o projeto The Dukes of Stratosfear, que rendeu um EP e um LP entre 1984 e 1985 (ambos bem legais) e a coletânea de raridades Homegrown, que é bem interessante.

Terça-feira, Novembro 04, 2008


Ode ao Heavy Metal:

Não foi o primeiro álbum de metal que eu tive. Foi o quarto, se não me engano. Ou o primeiro, se levarmos em conta que Deep Purple e AC/DC não são metal. O fato é que British Steel, do Judas Priest, mudou minha vida em 1981.

Aquele foi o ano em que deixei de ouvir Queen, Rolling Stones e Beatles para buscar coisas mais pesadas. O ano da descoberta dos básicos do Rock pesado, um ano antes de quando vendi o Jazz, uma das obras-primas do Queen, com poster e tudo, por uma bagatela, para ir à Woodstock, que na época ficava na Rua José Bonifácio, comprar Scorpions (Blackout).

Foi assim, com os básicos do Heavy Rock, que segui vivendo feliz e pseudo-rebelde até o comecinho de 1985, quando a Globo criou a definição metaleiro e vários adolescentes descobriram que era legal curtir o estilo e deixar o cabelo crescer. Era a hora de radicalizar. Troquei meus discos do Saxon, Judas e Scorpions por coisas mais agressivas como Metallica, Anthrax e Destruction. Andava pelos corredores do Firmino de Proença - onde fiz todo o segundo grau - amaldiçoando fãs de Kiss, Aerosmith e outras coisinhas leves.

Nessa mesma época, fui com um vizinho e meu irmão ao Rock Show, um cinema que só passava shows de rock e que deve ter fechado pouco depois. Lembro que vimos uma turnê do Venom (do terceiro disco, At War With Satan), e voltamos para casa tarde da noite, descendo a rua abraçados e batendo o pé, cantando num uníssono embriagado não de bebida, mas de genuína felicidade: "countess... bathory" - uma das faixas do Black Metal, segundo álbum do Venom, e de onde saiu o nome de uma banda sueca (se não me engano) chamada Bathory (cujos dois primeiros discos eu achava antológicos na época - nunca mais os escutei).

Claro que essa fase não resistiu até o verão seguinte, quando caí de cabeça no tecno pop e no new romantic e passei a usar tênis iate e calças de popelina (lembram da Ron Jon?). Comecei a ouvir 14 Bis e pirei com o terceiro disco dos caras, Espelho das Águas.

Depois veio a fase progressivo, que consumiu vários anos da minha vida. Durante essa fase progressiva, descobri muitas coisas boas que não tinham nada a ver com progressivo, e que me deixaram com gosto musical bem eclético, exceto por não querer mais saber de metal (realmente, a Globo na época enchia o saco com aquele lance de metaleiros). Admirei as bandas grunge, mas nunca as comparei com o metal que eu adorava anos antes. Preferia voltar a Velvet Underground e Joy Division (mas Doors nunca fez minha cabeça)

Voltei a curtir metal como um doido quando comecei a trabalhar na Nuvem Nove, a loja de Cds e Lps do meu amigo José, em 1997. Nessa época vários discos raros começaram a sair em CD na Europa, e a paridade do real com o dolar permitia que eu tivesse todos eles, e relembrasse as audições em fitas sujas gravadas na galeria do Rock (Forged In Fire, do Anvil; The Natives are Restless, do Hawaii; Infernal Overkill, do Destruction; Fire in the Brain, do Oz, e tantos outros).

Em 2000, montei minha própria loja, e o que mais me satisfazia não era vender vários discos para um descolado qualquer que saísse vibrando com coleções quase completas do Pavement ou do Yo La Tengo (bandas boas, por sinal), mas um desconto caprichado para um morador de periferia que quisesse ter em sua coleção o primeiro Piledriver (Metal Inquisition = clássico), ou o primeiro do Metal Church, ou do Avenger alemão (que depois virou Rage). Era a felicidade desses fãs humildes que me emocionava. Era para eles que eu queria vender. Eles lembravam minha adolescência, quando um disco comprado era motivo para a maior felicidade do mundo, e quando eu lembrava onde e quando tinha comprado cada vinil de minha coleção.

De lá para cá, nunca mais deixei de escutar discos do estilo, pela energia que provocam, pela felicidade meio adolescente que fazem surgir mesmo nos dias mais tristes, pela fúria que jorra dos sulcos. Mas nunca mais tive o prazer de comprar um vinil desses, prazer que as facilidades do MP3 não traz de volta.

O que quero dizer com este post muito pessoal? Não sei. Só sei que em alguns dias a melhor coisa para se escutar é um bom e virulento disco do Slayer, por exemplo. Cura até gripe chata.

Sábado, Setembro 13, 2008







Ao contrário do que muita gente diz, o melhor da música nos anos 1970 está no pop descartável, não no punk-rock, no metal, ou no rock progressivo. Ouça os quatro discos do Pilot é você vai ter uma idéia do que estou falando. Acima estão os melhores: Morin Heights (1976), o terceiro, que contém o hit "Canada", que fez com que muita gente até hoje ache que a banda é canadense; e Two's a Crowd (1977), o quarto, e a obra-prima da banda. No All Music Guide diz que esse disco é brilhante mas não teve nenhum hit. Mas pelo menos no Brasil a faixa de abertura fez muito sucesso. Chama-se "Get Up and Go", e é uma entrada perfeita em um mundo de melodias abusadamente tolas, mas delirantemente irresistíveis.
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From the Album of the Same Name (1974) * * * *
Second Flight (1975) * * *
Morin Heights (1976) * * * *
Two's a Crowd (1977) * * * * *

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Lucifer Was, banda norueguesa que fazia um hard-prog no início dos anos 70, saiu de circulação, e voltou em 1997 com uma regravação de material antigo para um disco de estréia chamado Underground and Beyond. O disco não é grande coisa, mas tem ao menos duas grandes (digo, grandes mesmo) faixas: "Fandango" e "Out of the Blue".

Muito melhor é o disco seguinte, cheio de material inédito e de um ecletismo quase suicida. In Anadi's Bower, de 2000, lembra Trouble, Candlemass, Jethro Tull, Kinks (em umas duas ou três faixas) e Manic Street Preachers (em uma faixa chamada "Ship on the Ocean"). Tamanha salada sonora não tinha muito como emplacar no restrito e pedante mercado do rock progressivo (que é onde eles, inevitavelmente, foram se inserir), mas até que fez certo barulho na época. Os discos seguintes não repetem a beleza de In Anadi's Bower, mas têm seus momentos. Ao menos Blues From Hellah, de 2004. O último, The Divine Tree (2007), é sensivelmente mais fraco, principalmente porque é comum.

Se você for do tipo que só baixa músicas, nunca um disco, escolha as seguintes, todas do segundo disco, In Anadi's Bower: "Behind Black Rider", "Darkness" e "Little Child", além da faixa título e das duas do primeiro disco citadas acima.

P.S. tentei reescutar o Screamadelica, do Primal Scream, e realmente não dá. Deve ser um dos discos mais superestimados da história. Pseudo-psicodelismo revestido de exotismo de maconheiro. Um porre. A banda é muito melhor em Xtrmntr (a obra-prima deles) e Evil Heat. Em Vanishing Point também, claro.

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

(atendendo a pedidos)
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cotações Rolling Stones:
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The Rolling Stones (1964) * * *
The Rolling Stones Nº 2 (1965) * * * *
The Rolling Stones Now (1965) * * *
Out of Our Heads (1965) * * *
December's Children (1965) * * * *
Aftermath (1966) * * * * *
Got Live if You Want it (1966) * * *
Between the Buttons (foto) (1967) * * * * *
Flowers (1967) * * * * *
Their Satanic Majestie's Request (1967) * * * *
Beggar's Banquet (1968) * * * * *
Let it Bleed (1969) * * * *
Get Yer Ya Ya's Out (1970) * * * *
Sticky Fingers (1971) * * * * *
Exile on Main Street (1972) * * *
Goat's Head Soup (1973) * * *
It's Only Rock 'n' Roll (1974) * *
Black and Blue (1976) * * * *
Love You Live (1977) * *
Some Girls (1978) * * * * *
Emotional Rescue (1980) * * * *
Tattoo You (1981) * * * * *
Still Life (1982) * * * *
Undercover (1983) *
Dirty Work (1986) *
Steel Wheels (1989) * *
Flashpoint (1991) * *
Voodoo Lounge (1994) * *
Striped (1995) * *
Bridges to Babylon (1997) * * *
No Security (1998) * *
Love Licks (2004) * * *
A Bigger Bang (2005) * * *
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obs: decidi manter algumas coletâneas dos anos 60 por terem músicas lançadas apenas em compactos, ou em edições para mercados específicos. São quase consideradas discos de carreira por isso.
obs-2: Let it Bleed e Emotional Rescue ficam sempre muito perto de ganhar a quinta estrela.
obs-3: Sim, é uma grande banda que perdeu o caminho no começo da década de 80.

Sábado, Agosto 16, 2008

"I'll show you where the white lillies grow
On the banks of Italy
I'll show you where the white fishes swim
At the bottom of the sea"

O baixo, a levada agradável, a voz mágica de Maddy Prior...

"Demon Lover", sexta faixa do disco Commoner's Crown (1975), da banda Steeleye Span. É uma canção tradicional, como várias outras que o grupo interpretou. Se essa versão deles, essa pequena grande sexta faixa desse disco (de que, aliás, já gostei mais um dia - monstrou-se irregular nesta nova reaudição) tido como dos melhores do folk britânico, deve ser o pedaço de música pop mais bonito que eu já ouvi.

É para ouvir no mínimo dez vezes, como estou fazendo agora. Não há horário de trabalho que resista a coisa tão bela.

Depois vale colocar na segunda, "Bach Goes to Limerick", maravilha de instrumental.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Falando em NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), há uma distância entre um extremo e outro que daria para contornar todo o mapa do metal mundial. Do Quartz ao Atomkraft, por exemplo, dá para vislumbrar várias das tendências que dominaram o gênero nos anos 80. Costumo dizer que tirando algumas exceções, a maioria dos discos da NWOBHM conjugam o melhor e o pior do rock, muitas vezes dentro até de uma mesma faixa.

No caso do Quartz isso fica mais evidente. Reouvi Stand Up and Fight (1980), e a impressão era a de ouvir um best of e um worst of ao mesmo tempo. Metal classicista, melódico, com muita influência dos anos 70, mas já buscando uma sonoridade oitentista (nos melhores momentos), e com o vocal de Mike Taylor soando parecido demais com o de Kevin DuBrow (do Quiet Riot), o que não é nada bom.
Atomkraft era da turma do Venom, e lembro também de alguma conexão com o Motorhead (mas não lembro qual). É considerado NWOBHM na BNR, mas é power metal, com quase ausência total de melodia, e muita fúria nas guitarras. Seu álbum de estréia, Future Warriors (1985), é bem coeso, mas não chega a empolgar como quando eu o escutava na época. Num canal a guitarra endiabrada, voando feito louca. No outro, a batida pontual e o baixo funcional. Era um power trio, mas o som era de quarteto (ao contrário do Venom, eles gravavam guitarras sobrepostas, falseando o que era para ser a sonoridade de um trio).
Discos de NWOBHM que não vingaram nas paradas, mas são fantásticos de cabo a rabo se contam nos dedos: Satan (Court in the Act), Blitzkrieg (A Time of Changes), Vardis (Quo Vardis), Raven (Rock Until You Drop)... e mais uns dois ou três que eu esteja esquecendo. O restante estourou como Saxon, Iron Maiden, Judas Priest, ou teve seus momentos, como Blind Fury, Nightwing, Girl e tantas outras bandas simpáticas.

Sábado, Agosto 09, 2008

Taxi de emergência para o Metrô. 8 minutos apenas. Entrei tava tocando a introdução de Joe's Garage, uma das obras-primas do Zappa ("this is the central scruuuuuutinizer..."). Emenda com "You Don't Remember, I'll Never Forget", uma das poucas coisas realmente boas de Yngwie Malmsteen (LP Trilogy), com o taxista empolgado, batucando no volante ao ritmo da música. Aí percebo que o cara é gigante, e tem um monte de tatuagens de caveira no braço. Pensei, deve vir mais metal em seguida. Que nada. "Kiss on My List", dos geniais Daryl Hall & John Oates.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Um paralelo nada óbvio, mas impressionante. Tava ouvindo o compacto que Ney Matogrosso fez com Fagner em 1975, uma obra-prima. Foi inevitável pensar que a decadência da MPB é a maior decadência que eu já vi em qualquer forma artística. O que foi, e o que é hoje, quando Maria Rita é saudada como genial e um monte de outras cantoras que cantam quase igual surgem a cada mês com um repertório de fazer vergonha ao passado de nossas canções (salvo raras exceções).

Aí penso no pop mais descartável feito para o mercado americano (seja nos EUA mesmo ou na Inglaterra), e percebo o quanto esse pop descartável se manteve digno de interesse. Um exemplo é Britney Spears, que após dois discos bem simpáticos, partiu para uma redefinição de si mesma, e de uma confrontação com os limites de sua estatura pop no terceiro e excelente Britney, de 2001, com a espetacular "Overprotected". No quarto, o In The Zone que ilustra este post, o mega-hit "Toxic", canção capaz de pulverizar nossos auto-falantes. Esse disco é uma consolidação do que ela ensaiava brilhantemente em Britney.

Em 2007, gorduchinha e vulgarizada, lança o impressionante Blackout, seu disco mais redondo (sem trocadilhos) até então. Tão redondo que nem sei quais canções destacar. Precisaria ouvir novamente. Também é o que tem menos momentos baixos, pelo mesmo motivo.

Agradecimentos aos novos e queridos amigos. Um me presenteou com boa parte do que escutei ontem e hoje, outra ofereceu o local para que Blackout ecoasse poderoso.

Domingo, Junho 29, 2008

Uma das minhas bandas favoritas do selo 4AD é o Dead Can Dance. Na verdade, é um duo australiano formado por Brendan Perry e Lisa Gerrard. Os que valem são os três primeiros, começando com o homônimo (1984), ainda pós-punk, mas já com algumas sacadas climáticas, meio progressivas, e uma levada jazz deliciosa em "East of Eden". A transição foi com o sensacional Spleen and Ideal (1985), muito mais carregado do clima soturno, já mais próximo de um progressivo oitentista (que teria, do outro lado da moeda, o Depeche Mode de Black Celebration). Encerrando a trinca genial com esse aí da foto, o terceiro Within the Realm of a Dying Sun (1987), que abre com a melhor faixa de toda a carreira do duo, mesmo quando separados: "Anywhere Out of the World".

Segunda-feira, Abril 21, 2008


O Rei - fase do medalhão (1973-1978, com recaída em 1981):
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Roberto Carlos 1973
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É injusto comparar com os dois discos anteriores, das maiores obras-primas que o rei compôs. RC73 pode ser considerado um álbum de procura por novos caminhos. O medalhão que ele ostenta na contra-capa, e que pode ser visto em todos os discos seguintes até 1981 (com a exceção de RC1979 e RC 1980) talvez seja uma indicação dessa busca. Aqui começa também a parceria com uma das maiores compositoras que já tivemos, Isolda (que compunha junto de seu irmão, Milton Carlos). A faixa é "Amigos, Amigos", que é um pequeno sinal do que viria a seguir. As melhores do disco, no entanto, são "A Cigana", "Palavras", "Atitudes" (de Getúlio Cortes), "Proposta", "O Moço Velho" (de Sílvio Cesar), "O Homem" e "Rotina".
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Roberto Carlos 1974 (foto de baixo)
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Não só a obra-prima da fase medalhão, como um dos melhores discos do Rei. Já começa com a belíssima "Despedida", com um ar melancólico difícil de descrever. É o disco que tem "O Portão", uma das canções mais belas da história da música popular, tanto pela letra, de uma poesia inimaginável, como pela melodia e pelo arranjo que não tem medo de flertar com o brega e até com o progressivo (o discreto moog que apita de vez em quando). Há ainda a inacreditável "A Estação", que retoma o padrão das músicas fortes de traumas iniciado com "Traumas" (em RC71) e que atingiu o pico em "Por Amor" e "O Divã" (ambas de RC 72). Quem ainda acha pouco, pode ouvir "Jogo de Damas", a melhor composição de Isolda e Milton Carlos (e uma das maiores canções já feitas) com uma interpretação de fazer chorar do Rei. Só essas quatro já serviriam para colocar o disco entre os melhores já lançados na Terra. Mas ainda tem "Eu Quero Apenas", "Resumo" (de Mário Marcos e Eunice Barbosa), "A Deusa da Minha Rua" (de Newton Teixeira e Jorge Faraj) e "Você". Realmente, um disco fora de série.
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Roberto Carlos 1975
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Um disco bem esquisito, talvez o mais fraco do período áureo (1967-1977). Mas conquista aos poucos. Depois da obra-prima anterior, afinal, poucos discos não iriam decepcionar. A faixa de Isolda e Milton Carlos (que já tinham se tornado habituées dos discos do Rei) é a belíssima "Elas Por Elas", que é mais fraca que "Jogo de Damas" (de RC74), mas quase todas as canções são. A mais estranha é "El Humahuaqueño" (de Zaldivar), que é bem divertida e bacana. As melhores são "O Quintal do Vizinho", "Olha" e "Mucuripe", a bela versão para a música de Fagner e Belchior.
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Roberto Carlos 1976
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Talvez seja o terceiro melhor da fase medalhão, RC76 é um disco mais roqueiro, tanto pela ótima faixa de abertura, "Ilegal, Imoral ou Engorda", como por "Minha Tia", deliciosa homenagem a um parente distante e a um tempo que se foi. A genial Isolda contribui com duas canções fantásticas: "Um Jeito Estúpido de Te Amar", de uma sensibilidade única, e "Pelo Avesso", que consegue ser ainda melhor, quase chegando perto da maior de todas "Jogo de Damas" (de RC74). Mas perdoem essa minha mania de hierarquizar tudo. RC76 é um disco tão gostoso de se ouvir que quase dá vontade de considerá-lo uma outra obra-prima, esquecendo das duas ou três faixas que só cumprem o papel de encher o LP. Ah, esqueci de dizer que o disco ainda tem "Os Botões" e "O Progresso".
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Roberto Carlos 1977 (foto de cima)
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Segundo melhor disco da fase medalhão, e uma coletânea involuntátia, já que todas as canções fizeram sucesso na época. É um disco tão redondo que estabeleceria uma nova fórmula, derivada da anterior, mas ainda mais formatada e seguida à risca nos discos seguintes. A abertura animada de "Amigo" é a faixa mais fraca do disco, e por aí já dá pra medir o quão bom ele é. Minha preferida, se eu só puder escolher uma, é "Sinto Muito Minha Amiga", que tem uma frase que carregarei até o final da minha vida: "saber quem é culpado não resolve nossa vida", dita pela voz sentida e sofrida do Rei. Isolda contribui com a maravilhosa "Outra Vez", homenagem ao irmão falecido em acidente de carro. E o disco ainda tem a erótica e genial "Cavalgada", em que "estrelas mudam de lugar e chegam mais perto só pra ver". Outras que se destacam em um disco todo destacado são "Nosso Amor (de Mauro Motta e Eduardo Ribeiro), "Falando Sério" (de Maurício Duboc e Carlos Colla), "Não Se Esqueça de Mim", "Jovens Tardes de Domingo" e "Muito Romântico" (de Caetano Veloso).
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Roberto Carlos 1978
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A fórmula aperfeiçoada no disco anterior começa a dar sinais de cansaço. tanto pela música de abertura ser a mais fraca em muitos anos, como pela irregularidade geral da coleção. É, ainda assim, um disco de momentos geniais. As melhores são "Lady Laura", "Vivendo por Viver" (de Marcio Greyck), "Música Suave", "Café da Manhã", "Tente Esquecer" (de Isolda) e "Todos os Meus Rumos" (de Fred Jorge), sendo que a primeira e a última citadas estão entre os grandes momentos de sua carreira.
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Roberto Carlos 1979
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A fórmula continua, ainda com sinais de cansaço, mas desta vez a abertura é fenomemal: "Na Paz do Seu Sorriso", que é do nível de "Lady Laura" e "Todos os Meus Rumos", do disco anterior. Uma outra canção se iguala a essas, "Meu Querido Meu Velho Meu Amigo". Outras faixas que merecem destaque, ainda que estejam degraus abaixo, são "Abandono" (de Ivan Lancellotti), "Desabafo" e "Me Conte Sua História" (de Maurício Duboc e Carlos Colla).
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Roberto Carlos 1980
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Descendo a ladeira. É o disco mais fraco do rei desde sua estréia renegada. As únicas canções que não fariam feio no disco de 1977 são "Guerra dos Meninos", "Amante à Moda Antiga", e com certo jeitinho "Procura-se" (de Roberto e Ronaldo Bôscoli).
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Roberto Carlos 1981
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"As Baleias" é melhor do que qualquer música do disco anterior. Mas este encerramento da fase medalhão ainda nos reserva "Cama e Mesa", "Emoções", "Tudo Pára" e "Ele Está Pra Chegar", provando que a dupla de sempre está novamente inspirada. A fórmula ainda é a mesma, mas por uma arejada nos arranjos ela até parece um pouco modificada. É o melhor disco desde RC77.
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obs: (Todas as faixas mencionadas foram compostas por Roberto e Erasmo Carlos, exceto quando incidado)

Sábado, Abril 05, 2008


O inglês Rod Temperton é um grande compositor injustiçado. Não bastasse ser o compositor de "Rock With You", "Off the Wall" e "Thriller", de Michael Jambers, Temperton é o homem por trás dos hist do Heatwave, banda de americanos que tomaram-no como uma espécie de mentor, sem que ele fosse conhecido. Mais tarde, Quincy Jones o incorporou a seu staff, e por isso ele compôs algumas faixas para Jambers. Muitos dizem que Jones o desprezava por achá-lo gênio e ameaçador demais... é, pode ser.

Os dois primeiros discos do Heatwave - Too Hot to Handle (1976) e Central Heating (1977) - têm funks chacoalhantes da melhor espécie. Esse da foto é o terceiro, Hot Property (1978), meu favorito de hoje (os outros dois também foram favoritos várias vezes). Depois, Temperton compôs menos para eles, mas ainda fizeram um belo quarto disco, Candles (1980), e um quinto que eu mal lembro como é, Current (1982).

Se quiser conhecer algumas faixas para começar, tente achar "Boogie Nights", "Razzle Dazzle", "Eyeballin'", "Central Heating", "Groove Line" e "Super Soul Sister", nessa ordem. Se até o minuto final de "Razzle Dazzle" você não estiver dançando, sinal de alerta. Se até a sexta faixa você não tiver sido conquistado, tente outro dia - você acordou com o pé esquerdo.

Segunda-feira, Março 17, 2008


Quem me conhece sabe que eu sou chegado num heavy metal. Também deve conhecer minha pequena e simplória teoria de que alguém só pode gostar de heavy metal depois de 22 anos se já gostava antes. Quem nunca curtiu metal na adolescência pode esquecer. No máximo vai gostar de alguns desses metais alternativos endeusados pela crítica, ou que fundem o estilo a outros, como industrial, doom ou música erudita.

O caso do Therion é mais ou menos esse. Muitos consideram Doom Metal, por causa das passagens climáticas. Mas é uma espécie de metal erudito, ou, como já li em algum site europeu, "operistic metal". É uma baita banda, que para mim se aproxima de um rock progressivo de tintas sombrias e pesadas. Um King Crimson escandinavo e mais chegado num coral litúrgico. Deggial (foto), de 2000, talvez seja o melhor momento da banda em disco. Mas Theli (1996) e Vovin (1998) não podem ser esquecidos. Ainda não ouvi os dois últimos discos deles, mas isso será corrigido em breve.

Ah, na adolescência eu tive uma fase heavy metal, de andar por aí com jaqueta cheia de patches de bandas, camiseta preta com caveiras e calças de jeans com tenis brancos. Meu patch do Powerslave, disco clássico do Iron Maiden fez sucesso no colégio em 1985. Essa fase não durou mais que dois anos, mas foi marcante, e até hoje me faz escutar o estilo com um sorriso nostálgico.

Discografia da banda em: http://www.bnrmetal.com/v2/bandpage.php?ID=Ther

Sábado, Março 15, 2008


Acima estão os dois melhores discos de Peter Gabriel. O de cima é o terceiro, de 1980, intitulado Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel 3), e é geralmente tido como sua obra-prima. O de baixo é o meu preferido, Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel IV), de 1982, que nos EUA foi chamado de Security.
O ótimo Stephen Thomas Erlewine, editor do All Music Guide, vai com a maioria, e acha que com o IV ele deu uma guinada em direção ao pop. Pois eu acho que essa guinada para o pop se deu desde seu último disco com o Genesis, o belo álbum duplo e conceitual chamado The Lamb Lies Down on Broadway (1974), que poderia muito bem se chamar Papai Maurice Ravel nos Mostrou o Caminho (e aqui eu brinco com a influência do músico francês e com o personagem retratado no disco, o portoriquenho Rael. Talvez esse IV seja o menos pop da carreira de Gabriel desde então. Cheio de sutilezas e texturas, explorando percussão e efeitos eletrônicos, com melodias se escondendo sob arranjos intrincados e geniais. Um discaço pra ninguém botar defeito. É sua verdadeira obra-prima, com composições sensacionais como "I Have the Touch", "The Family and the Fishing Net", Lay Your hands on Me", "Wallflower" e "Kiss of Life". O terceiro também seria, não fosse a faixa "Biko", que eu nunca tive a oportunidade de enjoar, pois nunca a admirei. Mas tem "I Don't Remeber", "Games Without Frontier", "Intruder" e "And Through the Wire".
Depois de So (1986) começa uma vagarosa e marcante decadência, culminando com o equívoco completo que foi Up (2002), disco que tenta, sem sucesso, acompanhar a linha evolutiva da música pop. Mas não se enganem, Peter Gabriel já foi dos maiores compositores que a música pop teve, com e sem o Genesis.

Sexta-feira, Março 07, 2008


Formada em 1979 por Geoff Downes e Trevor Horn, The Buggles ficou conhecida especialmente pelo hit "Video Killed the Radio Star", que saiu em compacto no final de 1979 e pouco depois seria o primeiro videoclipe veiculado pela nascente MTV americana. O primeiro disco deles, The Age of Plastic (1980) foi muito elogiado, e considerado uma das melhores coisas a surgir do questionamento tecnológico que se iniciou na virada dos 70s para os 80s. Confesso que acho o segundo disco deles, Adventures in Modern Recording (1981, lançado nos EUA no ano seguinte - foto do alto), tão bom ou igual à estréia. Pelo menos três faixas me fazem pensar isso: "Vermillion Sands", uma das mais esquizofrênicas composições do mundo pop, "Inner City", faixa climática e bem bonita, e "I Am a Camera", versão buggle para "Into the Lens", composta por Downes e Horn e incluida no álbum Drama, do Yes (é o álbum que tinha Downes substituindo Rick Wakeman e Horn no lugar de Jon Anderson - muito bom, mas obviamente injustiçado pelos fãs do Yes). O negócio de Trevor Horn era ser produtor, e foi o que ele fez a seguir. Geoff Downes montou o Asia, com John Wetton, Carl Palmer e Steve Howe. Fizeram um belíssimo disco de estréia em 1982, mas os outros são, no máximo, razoáveis.

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008



É incrível como o primeiro disco do Soft Cell - Non Stop Erotic Cabaret (fotos das capas do vinil) -, de 1981, é uma obra-prima histórica. Uma viagem pelos pulgueiros sexuais mais baratos, sórdidos e sujos; uma ode à perversão e à libidinagem. As letras de Marc Almond são do nível das melhores que Lou Reed já fez. E as melodias até hoje me impressionam. Lembro de ter dito isso a um amigo certa vez, e ele me ridicularizou. Achava um absurdo que tal disco fosse tão bom. Jogando verde alguns meses depois, citei novamente o disco, e ele concordou que era uma obra-prima. É impressonante que nunca tenha sido lançado em CD no Brasil, e até outro dia não existia nos EUA também. Uma das maiores obras dos anos 80, em toda arte pop. Desculpe a empolgação, mas o disco é realmente demais.

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008


São dois discos de 1983. Fazia uns vinte anos que eu não ouvia The Romantics, banda que começou meio hard rock poser punk e virou new-romantic com tintas de AOR (Adult Oriented Music). Motivado pelas vinhetas da VH1, resolvi ouvir o disco deles do tal ano, In The Heat (depois da virada de estilo), para comprovar que a úncia música boa (e, no caso, muito boa) é a da vinheta: "Talking In Your Sleep". As restantes são um arremedo do pior que se fazia na época, algo entre um Visage com defeito e um Adam & the Ants sem 1% da genialidade. Uma pena.
Aí o jeito foi passar para outro disco de 1983, o clássico Thriller, de Michael Jackson, que acabou de sair em versão comemorativa de 25 anos, cheia de bônus e outras frescuras mais (para obrigar o fã que já havia comprado a remasterizada definitiva que saiu anos atrás comprar de novo - haja falta de respeito). Não é tão bom quanto Off the Wall (1979), mas é um belo disco. Só "Billy Jean", "The Girl is Mine" e "Human Nature" bastam para justificar a fama do disco. Serviu também para reabilitar o estranho ano de 1983 (decadência da new-wave, da black music e do pós-punk, ano de entressafas no Heavy Metal e de indecisões no hip-hop e no tecno-pop.

atualização: Thriller, na verdade, foi lançado em 1982. Minha memória é da época do lançamento nacional, e com isso não fui verificar. Foi mal. Obrigado ao leitor João Carls, que me avisou.

Não chega perto da obra-prima I Am Shelby Lynne, mas é bem bonito. Daquele tipo de disco que te cativa aos poucos, demora para se afirmar, mas quando o faz, te pega de jeito.

Domingo, Fevereiro 10, 2008

Redescobrindo Adam and the Ants. Lançaram três belos discos entre 1979 e 1981. O melhor deles é esse aí da foto, Kings of the Wild Frontier (1980). É nele que está "Antmusic", um hino do pós-punk tribal, a meio caminho da new-romantic que eles imortalizariam no álbum seguinte, Prince Charming (1981), com o hit "Stand and Deliver". Junto do Duran Duran, foram a banda chave do início dos anos 80 na Inglaterra, mas infelizmente ainda são subestimados. Procurem também Friend or Foe (1982), o primeiro e sensacional solo de Adam Ant. O grande hit do disco é "Goody Two Shoes".

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adendo: descobri agora que a música "Relax, Take it Easy", do Mika, é um plágio descarado de "(I Just) Died in Your Arms", do Cutting Crew. Como o plágio é melhor, chamemos de folk process.

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Prestando tributo a uma das melhores revistas que existem, a inglesa MOJO
(mas como eles cairam no conto do Oasis, valha-me Deus)

100 Modern Classics: Greatest Albuns of Mojo Lifetime

1
Jeff Buckley
Grace
1994

2
Johnny Cash
American recordings
1994

3
Radiohead
OK computer
1997

4
Bob Dylan
Time out of mind
1997

5
Oasis
Definitely maybe
1994

6
Flaming lips
The soft bulletin
1999

7
Radiohead
Kid A
2000

8
White stripes
Elephant
2002

9
Nirvana
Unplugged in New York
1994

10
Beck
Odelay
1996

11
Nick Cave and the Bad seeds
The boatman's call
1997

12
Spiritualized
Ladies and gentlemen we are floating in space
1997

13
Nirvana
In utero
1993

14
Massive attack
Mezzanine
1998

15
Bob Dylan
Love and theft
2001

16
Radiohead
The bends
1995

17
Johnny Cash
American III : Solitary man
2000

18
Teenage fanclub
Grand prix
1995

19
DJ Shadow
Endtroducing
1996

20
Bonnie 'Prince' Billy
I see a darkness
1999

21
Tom Waits
Mule variations
1999

22
Outkast
Speakerboxxx/the love below
2003

23
Buena vista social club
Buena vista social club
1997

24
Elliott Smith
Either/Or
1997

25
PJ Harvey
Stories from the city, stories from the sea
2000

26
Wilco
Yankee hotel Foxtrot
2002

27
Air
Moon safari
1997

28
White stripes
White blood cells
2001

29
Madonna
Ray of light
1998

30
Mercury rev
The deserter's song
1998

31
Lucinda Williams
Car wheels on a gravel road
1998

32
Beck
Mutations
1998

33
Strokes
Is this it
2001

34
Solomon Burke
Don't give up on me
2002

35
Portishead
Dummy
1994

36
Flaming lips
Yoshimi battles the pink robots
2002

37
Brian Wilson
Smile
2004

38
Belle and Sebastian
If you're feeling sinister
1997

39
Pulp
Different class
1995

40
PJ Harvey
To bring you my love
1995

41
Elvis Costello and the Imposters
The delivery man
2004

42
Jimmy Page & Robert Plant
No quarter
1994

43
Antony & the Johnsons
I am a bird now
2005

44
Super furry animals
Rings around the world
2001

45
Kate Bush
Aerial
2005

46
Supergrass
In it for the money
1997

47
Queens of the Stone age
Rated R
2000

48
Bruce Springsteen
Devils & dust
2005

49
Gillian Welch
Time (the revelator)
2001

50
Blur
Blur
1996

51
Franz Ferdinand
Franz Ferdinand
2004

52
Ryan Adams
Heartbreaker
2000

53
Björk
Post
1995

54
Beastie boys
Ill communication
1994

55
Beta band
The 3 ep's
1998

56
Pavement
Crooked rain, crooked rain
1994

57
Libertines
Up the bracket
2002

58
R.E.M.
New adventures in hi-fi
1996

59
Magnetic fields
69 love songs
1999

60
Arcade fire
Funeral
2004

61
Oasis
(What's the story) Morning glory?
1995

62
Wu-Tang clan
Enter the Wu-Tang (36 chambers)
1993

63
Morrissey
Vauxhal and I
1994

64
Tortoise
Millions now living will never die
1996

65
Primal scream
Exterminator
2000

66
Neil Young
Sleeps with angels
1994

67
Lauryn Hill
The miseducation of Lauryn Hill
1998

68
Jon Spencer blues explosion
Orange
1994

69
Aimee Mann
Lost in space
2002

70
Sigur Rós
Agaetis byrjun
2000

71
Al Green
I can't stop
2003

72
Blur
Parklife
1994

73
Nick Cave and the Bad seeds
Abattoir blues/The lyre of Orpheus
2004

74
Norah Jones
Come away with me
2002

75
Verve
A Northern soul
1995

76
Bruce Springsteen
The ghost of Tom Joad
1995

77
Tricky
Maxinquaye
1995

78
Eminem
The Marshall Mathers lp
2000

79
Tinariwen
The radio Tsidas sessions
2002

80
Guided by voices
Bee thousand
1994

81
Manic street preachers
The holy bible
1994

82
Arctic monkeys
Whatever people say I am, that's what I'm not
2005

83
Prodigy
Music for the jilted generation
1994

84
U2
All that you can't leave behind
2000

85
Salif Keita
Moffou
2002

86
Paul Weller
Stanley road
1995

87
Jayhawks
Sound of lies
1997

88
R.L. Burnside
A ass pocket of whiskey
1996

89
Red hot chili peppers
Californication
1999

90
Maria McKee
Life is sweet
1996

91
Boards of Canada
Music has the right to children
1998

92
Manu Chao
Clandestino
1998

93
System of a Down
Toxicity
2001

94
Michael Head introducing the Strands
The magical world of the Strands
1998

95
Rufus Wainwright
Poses
2001

96
Underworld
Second toughest in the infants
1996

97
D'Angelo
Brown sugar
1995

98
Nine inch nails
The downward spiral
1994

99
Sizzla
Black woman & child
1997

100
Coldplay
A rush of blood to the head
2002

lista publicada na Mojo 150, Maio de 2006.

Domingo, Outubro 14, 2007

As 30 melhores bandas (e artistas) do rock nos anos 80, na ordem de hoje.

obs:

vale tudo, mas só são considerados os trabalhos concluídos na década de 1980.

Bandas como Depeche Mode e Sonic Youth teriam melhores posições se fosse da década de 1990. Slayer e Metallica nem estariam na lista.

Rolling Stones fizeram dois discaços, mas depois sujaram o nome com dois discos bem ruins: ficaram de fora.

No caso do Clash, Sandinista é tão bom que compensa a ruindade de Cut the Crap.

Claro que esqueci muita coisa, mas é assim mesmo.

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1) The Cure

o fino: 17 Seconds (1980), Pornography (1982), The Top (1984), The Head on the Door (1985), Desintegration (1989)

2) Killing Joke

o fino: Killing Joke (1980), What's This For? (1981), Revelations (1982), Fire Dances (1983), Night Time (1985)

3) Duran Duran

o fino: Duran Duran (1981), Rio (1982), Seven and Ragged Tiger (1983), Notorious (1986)

4) XTC

o fino: Black Sea (1980), Skylarking (1986), Oranges and Lemons (1989)

5) Pixies

o fino: Come on Pilgrim (1987), Surfer Rosa (1988), Doolittle (1989)

6) Slayer

o fino: Show no Mercy (1983), Hell Awaits (1984), Reign in Blood (1986)

7) Depeche Mode

o fino: Construction Time Again (1983), Black Celebration (1986), Music for the Masses (1987)

8) Metallica

o fino: Kill Em'All (1983), Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986)

9) R.E.M.

o fino: Murmur (1983), Lifes Rich Pageant (1986), Document (1987)

10) Sonic Youth

o fino: Evol 1986), Sister (1987), Daydream Nation (1988)

11) Cocteau Twins

o fino: Garlands (1982), Head Over Heels (1983), Treasure (1984)

12) Judas Priest

o fino: British Steel (1980), Point of Entry (1981), Screaming for Vengeance (1982)

13) Saxon

o fino: Denim and Leather (1982), Power & The Glory (1983), Crusader (1984)

14) Lou Reed

o fino: The Blue Mask (1982), New York (1989)

15) The Smiths

o fino: The Queen is Dead (1986), Strangeways, Here We Come (1988)

16) The Clash

o fino: Sandinista (1981), Combat Rock (1982)

17) Kraftwerk

o fino: Computer World (1981), Electric Cafe (1986)

18) Neil Young

o fino: Reactor (1981), Freedom (1989)

19) (Clan of) Xymox

o fino: Clan of Xymox (1986), Medusa (1987)

20) Simple Minds

o fino: Sister Feelings Call (1981), Sons and Fascination (1981)

21) Split Enz

o fino: True Colours (1980), Time and Tide (1982)

22) The Cars

o fino: Shake it Up (1981), Heartbeat City (1984)

23) The Psychedelic Furs

o fino: Talk Talk Talk (1981), Forever Now (1982)

24) Siouxsie and the Banshees

o fino: Kaleidoscope (1980), Juju (1981)

25) Love and Rockets

o fino: Express (1986), Earth-Sun-Moon (1987)

26) Anthrax

o fino: Fistful of Metal (1983), Spreading the Disease (1985)

27) Electric Light Orchestra

o fino: Time (1981), Secret Messages (1983)

28) Savatage

o fino: Sirens (1983), Power of the Night (1985)

29) Kiss

o fino: Unmasked (1980), The Elder (1981)

30) Ultravox

o fino: Vienna (1980), Rage in Eden (1981)

Sábado, Setembro 22, 2007


Em Ligeiramente Grávidos, belo filme que estreou nesta sexta-feira, Seth Rogen ataca e Paul Rudd defende o Steely Dan, maravilhosa banda novaiorquina que mistura jazz, soul, country e rock com muita elegância. Claro, é som de quem tem mais de trinta anos, o que não impede os mais jovens de gostar também (porque classificações desse tipo são sempre equivocadas).

Can't Buy a Thrill (1972) * * * *
Tem "Do it Again", a mais famosa, mas as melhores são "Dirty Work" e "Turn That Heartbeat Over Again".

Countdown to Ecstasy (1973) * * * *
No mesmo altíssimo nível do anterior, tem duas faixas que valem o disco: "Bodhisattva" e Show Biz Kids".

Pretzel Logic (1974) * * * * *
Sem dúvida o melhor disco dos caras. "Ricky Don't Loose That Number" e Through With Buzz", que emenda com a excelente faixa título, são para colocar no repeat e deixar tocar várias vezes.

Katy Lied (1975) * * *
Depois do melhor disco deles, vem o mais fraco, pelo menos antes da volta em 2000. Mas tem "Bad Sneakers", pra provar que é só uma pequena entressafra.
The Royal Scam (1976) * * * * *
Nova obra-prima, um disco quase tão bom quanto Pretzel Logic. Talvez seja o disco mais dançante da banda. O grande destaque é para "Green Earrings" e "Don't Take me Alive".

Aja (1977) * * * *
Quase ganhou a cotação máxima. Digamos que é o terceiro melhor disco da banda. "Peg" se sobressai com sua pegada irresistível. Se o anterior era o mais dançante, este pode ser considerado o mais classudo.

Gaucho (1980) * * *
É o disco que tem o mega-hit "Hey Nineteen". E começa com "Babylon Sisters", outro clássico. Mas não está entre os melhores deles.
Alive in America (1995) - nunca ouvi, mas a banda nunca foi muito bem falada por seus shows.

Two Against Nature (2000) * * *
Agradável de se ouvir, mas perde pra qualquer disco solo de Donald Fagen.

Everything Must Go (2003) * * *
Um pouco melhor que o anterior, mas ainda um tanto engessado. Esses dois últimos discos eu só escutei em CD, e poucas vezes, fica difícil lembrar quais as faixas que mais gostei. Reouvirei assim que os festivais de cinema acabarem, e farei um post aqui se descobrir alguma injustiça.

DONALD FAGEN

The Nightfly (1982) * * * *
Apesar do hit "New Frontier" assustar bastante, o disco é delicioso, com destaque para "Ruby Baby" e "I.G.Y.", também hits.

Kamakiriad (1993) * * * * *
O disco para uma festa perfeita, mas também o disco perfeito para uma longa viagem de carro.

Morph the Cat (2006) * * * *
Muito suingue e letras que falam da proximidade da morte. Um disco ao mesmo tempo alegre e muito triste.

WALTER BECKER

11 Tracks of Whack (1994) * * *
Um disco simpático e bem eclético, mas sem a força e a classe dos discos da banda. Fez com que muita gente na época afirmasse que Donald Fagen não era 70% da banda, como se achava, mas 90%, o que talvez seja injustiça.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007


Uriah Heep, banda injustiçada, hard rock com backing vocals esganiçados, teclados hammond distorcidos, e refrões ganchudos. São bregas na maior parte do tempo, do tipo que qualquer crítico musical descolado odeia até a morte. Mas são muito bons, principalmente nos anos 70. Esses dois aí de cima são os clássicos, respectivamente o quarto e o quinto discos, o auge da banda, com David Byron no vocal - também conhecido como o Belchior do Reino Unido. Tão bons quanto o Deep Purple, mas poucos reconhecem.

As cotações:

Very 'Eavy Very 'Umble (1970) * * *

"se essa banda fizer sucesso, eu comito suicídio" - um crítico do Melody Maker

Salisbury (1971) * * * *

Um arraso da guitarra de Mick Box na faixa título.

Look at Yourself (1971) * * * *

Ensaiando algo grande

Demons and Wizards (1972) * * * * *

Algo grande

The Magician's Birthday (1973) * * * * *

Pop perfeito e hard prog convivem harmoniosamente.

Live (1973) * * * *

David Byron é mestre.

Sweet Freedom (1973) * * * *

Meu primeiro e inesquecível contato com a banda.

Wonderworld (1974) * * *

Não é fraco como muitos dizem, e não é bom como a fase faria supor.

Return to Fantasy (1975) * * * *

John Wetton (baixo) rules.

High and Mighty (1976) * *

Sempre uma nova chance, sempre a decepção. Último com David Byron.

Firefly (1977) * * * *

John Lawton (ex-Lucifer's Friend) assume com seu vocal fenomenal.

Innocent Victim (1977) * * * *

O pop perfeito e gostosamente brega está de volta com "Free Me".

Fallen Angel (1978) * * * *

Meu guilty pleasure. Disco tão errado quanto delicioso.

Conquest (1980) *

Stevie Wonder errou de endereço.

Abominog (1982) * * * *

O triunfo do AOR.

Head First (1983) * *

A derrocada do AOR

Equator (1985) mico

Sem comentários

Raging Silence (1989) *

Bernie Shaw what???

Different World (1991) * *

Hummmm

Sea of Light (1995) - nunca ouvi... falha minha

Sonic Origami (1998) * * *

"De onde menos se espera, é de onde não sai nada mesmo.". A frase de Millôr Fernandes é desafiada por este disco surpreendente.

Depois disso perdi o contato. E o monte de ao vivos que a Castle lançou não me entusiasmou. Prefiro ficar com os dois primeiros solos de Ken Hensley (o tecladista/guitarrista/compositor dos discos clássicos)

Terça-feira, Maio 15, 2007

Desafiado pelo Alessandro, posto novamente no mesmo dia.

TOP Macca solo (com ou sem Wings)

1 - Ram (1971)
2 - Wild Life (1971)
3 - Band on the Run (1973)
4 - Paul Mccartney (1970)
5 - Tug of War (1982)
6 - Flaming Pie (1997)
7 - Wings at the Speed of Sound (1976)
8 - Driving Rain (2001)
9 - Venus and Mars (1975)
10 - Red Rose Speedway (1973)


Desculpem o sumiço. Pretendo voltar mais a este blog abandonado e querido. Por enquanto, entro aqui apenas para postar que Moontan, o mais famoso álbum do Golden Earring, talvez seja o mais fraco que a banda produziu nos anos 70. Cheguei a essa conclusão reouvindo Eight Miles High (1970), Together (1972), Switch (1975) e To The Hilt (1976) - o melhor deles todos -, além do supracitado. E lembrando da maravilha que é Contraband (1976) e dos achados melódicos de Grab it For A Second (1978). Ah, como não ouvi No Promises - No Debts (1979), não posso confirmar minha forte suspeita.

Terça-feira, Março 06, 2007


O preconceito continua prejudicando o conhecimento dessa banda maravilhosa. Meu irmão, por exemplo, um dos maiores conhecedores de música pop desde os anos 50 até hoje, sempre diz que a banda é o Peter, Paul & Mary do Prog. Até tem sua razão, mas ele se esquece que a banda conta com dois dos melhores músicos da história: o baixista Jon Camp, e o tecladista John Tout. São as duas maiores razões para se escutar os discos da banda até 1979. Depois, eles cairiam na fórmula pop que impregnou o prog decadente do final dos anos 70, e realizaram dois discos risíveis. Confesso que por causa disso, deixei de acompanhar a carreira deles, e mesmo a elogiada obra solo de Annie Haslam, essa vocalista tão festejada pelos fãs. Sua voz é realmente bonita, em alguns momentos, celestial. Mas o segredo do Renaissance, o ingrediente que os tornam sensacionais dentro do universo prog, é mesmo baixo e piano.
Os discos que eu ouvi:
Renaissance (1969) * * * * *
Illusion (1970) * * * *
os dois discos acima têm formação completamente diferente, com Keith Relf (ex-Yardbirds, depois Armageddon) como timoneiro, e sua irmã Jane Relf, de voz tão linda quanto a de Haslam, mas injustamente esquecida. Contava ainda com o ótimo baixista Louis Cenammo, e o tecladista virtuose e erudito John Hawken, ambos excelentes, mas que não souberam criar uma identidade para a banda, apesar do primeiro disco ser uma obra-prima.
Prologue (1972) * * * *
Ashes Are Burning (1973) * * * * *
Turn of the cards (1974) * * *
Scheherazade & Other Stories (1975) * * * * *
Live at Carnegie Hall (1976) * * *
Novella (1977) * * * *
A Song for All Seasons (1978) * * * *
Azure D'Or (1979) * * * *
Camera camera (1981) *
Time Line (1983) mico
Scheherazade tem uma música mais fraca, que puxaria o disco para as 4 estrelas (lembrando que aboli a meia estrela para seguir o padrão da Paisà): "The Vultures Fly High". Mas "Ocean Gypsy" é tão boa, tem uma melodia tão magnífica, que compensa. "Can You Understand", a faixa de abertura de Ashes are Burning, tem um piano que, sozinho, justifica as cinco estrelas dadas para o disco.

Domingo, Março 04, 2007

Nostalgia da adolescência

ou: só gosta de metal quem tem mais de 20 anos se gostou de metal na adolescência

SAXON

Saxon (1979) * * *
Wheels of Steel (1980) * * * *
Strong Arm of the Law (1980) * * * *
Denim & Leather (1981) * * * * *
The Eagle Has Landed - ao vivo (1982) * * * *
Power & the Glory (1983) * * * * *
Crusader (1984) * * * *
Innocence is no Excuse (1985) * * * *
Rock the Nations (1986) * * *
Destiny (1988) *
Solid Ball of Rock (1991) * *
Forever Free (1993) * * *
Dogs of War (1995) * * *
The Eagle Has Landed II (1996) * * * *
Unleash the Beast (1997) * * *
Metalhead (1999) * * *
Killing Ground (2001) * * *
Lionheart (2004) * *
The Eagle Has Landed III - ao vivo (2006) * * *

SCORPIONS

Lonesome Crow (1972) * * *
Fly to the Rainbow (1974) * * *
In Trance (1975) * * * *
Virgin Killer (1976) * * * *
Taken by Force (1977) * * * *
Tokyo Tapes (1978) * * *
Lovedrive (1979) * * *
Animal Magnetism (1980) * * * *
Blackout (1982) * * * *
Love at First Sting (1984) * * *
World Wide Live (1985) * *
Savage Amusement (1988) * *
Crazy World (1990) * *
Face the Heat (1993) * * *
Live Bites (1995) * *
Pure Instinct (1996) * * *
Eye II Eye (1999) mico
Moment Of Glory (2000) *
Acoustica (2001) *
Unbreakable (2004) nunca ouvi

Sábado, Março 03, 2007


Reouvi hoje este primeiro LP solo de Dave Mason, do Traffic. Confesso que me desapontei. Alone Together é um disco bem simples, bem chavão do que se produzia no começo dos anos 70, com um pouco de rock, de folk e de baladas pop, tudo na medida para estourar nas paradas. O LP é bonito, com capa que abre, e vinil colorido, mas o conteúdo fica muito a dever a qualquer disco anterior do Traffic.

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Reativando esta pocilga para reindicar um álbum magistral, perdido em 1972, numa fase intermediária de um grupo nunca muito lembrado. Trata-se de Bare Trees, a obra-prima do Fleetwood Mac. Sem Peter Green, sem Jeremy Spencer, Danny Kirwan comanda, e compõe cinco faixas essenciais, das quais "Sunny Side of Heaven", "Dust" e "Child of Mine" podem ser consideradas, sem exagero, das melhores coisas que surgiram na década de 70. Claro, tem "Sentimental Lady", a maravilhosa canção de Bob Welch, que faz arrepiar de tão linda, com backing vocals brilhantes e uma melodia pouco óbvia no refrão. A banda ainda faria belos discos, especialmente Heroes are Hard to Find (1974), Fleetwood Mac (1975), Rumours (1977) e Mirage (1982), mas nenhum chega perto da excelência de Bare Trees, álbum fundamental que segue e aprofunda a linha mais pop do álbum anterior, o ótimo Future Games (1971).

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Kevin Ayers - Didn't Feel Lonely

duelo entre Ollie Halsall, um dos maiores guitarristas da história e Andy Summers, um guitarrista muito bom

Patto

Uma das bandas mais subestimadas dos anos 70. Lançou três obras-primas. Essa música é da primeira delas

Sábado, Dezembro 09, 2006

gorillaz-dare

sensacional